Se o desempenho da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 2026 ainda é dúvida para boa parte dos brasileiros, os fanáticos por futebol têm uma certeza muito clara: completar o álbum de figurinhas do torneio ficou bastante caro. Mais precisamente, o preço das figurinhas subiu 150% desde o mundial de 2018, o que coloca o Brasil na segunda colocação global de maiores altas no preço do pacote das figurinhas, atrás apenas do vizinho Uruguai. O levantamento é do economista-chefe da Neo Investimentos, Luciano Sobral, que repetiu um estudo elaborado em 2018, quando ainda trabalhava no Santander, chamado “Stickernomics”. “Junto com a revolução da IA, a economia global passou por uma pandemia, algumas guerras e diversos eventos climáticos que produziram a mais forte onda de inflação global desde os anos 1970. E as figurinhas não escaparam da inflação global”, aponta Sobral. De acordo com o economista da Neo, ao se remover da amostra os “outliers” óbvios — Egito, Turquia e Argentina, que tiveram aumentos respectivos de 281%, 920% e 13.229%, respectivamente —, o preço médio por figurinha da amostra subiu 48%, cerca de 8 pontos percentuais acima da inflação média nos países correspondentes. “Mas essa média esconde algumas oscilações extremas: os cobiçados pacotinhos dispararam 150% no Brasil e no Uruguai”, nota Sobral. Segundo ele, no Brasil, os preços já haviam dobrado entre 2014 e 2018, o que sugere que “ou os custos locais de impressão e distribuição estão explodindo, ou as margens da Panini estão ficando insanas”. Por outro lado, os preços caíram em termos nominais na Hungria, Polônia e, menos surpreendentemente, na Suíça. Para os investidores que buscam uma “arbitragem” no mercado global de figurinhas, o maior ganho ocorreria comprando pacotinhos no Peru e vendendo na Dinamarca. “Em termos nominais em dólar, as figurinhas mais caras do mundo estão na Dinamarca, a US$ 2,60 por pacote — mais do que o dobro do preço das mais baratas, no Peru, onde custam US$ 1,10 e no Chile, onde custam US$ 1,20”, aponta. Sobral ressalta que a América Latina abriga as melhores “pechinchas” do mundo, com exceção de Uruguai, Argentina e Equador, que registraram enormes aumentos de preços em dólar. “Por outro lado, Polônia, Hungria e Rússia passaram de mercados caros para baratos”, observa. Por fim, o economista da Neo nota que o “Índice Panini”, um exercício para medir a paridade do poder de compra, aponta para um dólar americano muito forte, ao contrário de 2018. “Naquela época, os preços das figurinhas eram, em média, 26% mais caros fora dos EUA. Agora, os preços são mais altos em apenas cinco países e, em média, os não americanos estão pagando 11% menos por figurinha. Isso está alinhado com a tendência global mais ampla de fortalecimento do dólar, que só recentemente começou a ser contestada. Segundo o índice de taxa de câmbio real efetiva ampla do BIS, o dólar está agora cerca de 12% mais forte do que em abril de 2018”, afirma Sobral.
Brasil é vice-campeão em alta nos preços das figurinhas da Copa do Mundo desde 2018
Levantamento da Neo Investimentos mostra que preço dos pacotinhos no Brasil disparou desde a Copa da Rússia












