Governador Cláudio Castro à espera de um julgamento no TSE para definir seu futuro político — Foto: Brenno Carvalho/Agência O Globo O ex-governador do Rio Cláudio Castro (PL) decidiu abandonar a pré-candidatura ao Senado Federal após ser alvo de duas operações da Polícia Federal (PF) no intervalo de 11 dias. Diante da divulgação dos meandros do esquema que levou o Rioprevidência a injetar R$ 3,69 bilhões no Banco Master e da exposição das benesses milionárias bancadas por Daniel Vorcaro, a avaliação é de que sustentar a campanha para senador se tornou inviável. Castro deve divulgar um vídeo nesta quinta-feira atribuindo a decisão à necessidade de se dedicar à sua defesa nas investigações em curso. Além da operação no âmbito do Master, o político do PL também foi alvo de mandado de busca e apreensão no último dia 15 em outra investigação referente às fraudes bilionárias do Grupo Refit, o maior devedor do estado e do Brasil. Na primeira manifestação nas redes sociais desde que a PF bateu em sua porta há 13 dias, o ex-governador não dará pistas sobre um eventual plano B, embora especule-se nos bastidores que ele poderia concorrer a deputado federal, o que exigiria menos exposição do que uma campanha para o Senado. Estrategistas próximos de Castro o aconselharam a deixar o futuro político em aberto e deixar a poeira baixar. O objetivo é mantê-lo abaixo do radar no momento em que ele está na mira de dois inquéritos distintos, além de recorrer à condenação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que o tornou inelegível. Caso reúna as condições necessárias, anunciará a candidatura à Câmara dos Deputados mais à frente. O aliado do presidenciável Flávio Bolsonaro (PL) foi orientado a adotar um tom sereno e evitar ataques à PF e a desafetos no comunicado. O vídeo romperá o silêncio de Cláudio Castro em relação às ações policiais das quais foi alvo. Desde a operação ligada à Refit, o ex-governador publicou apenas sobre a Marcha de Jesus, a morte de um policial civil, medidas adotadas em sua gestão e sua família. A decisão de deixar a corrida eleitoral abre uma vaga na chapa do pré-candidato do PL ao governo, Douglas Ruas, que é presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj). O substituto deverá ser definido por Flávio Bolsonaro. Até o momento, os deputados federais Carlos Jordy e Sóstenes Cavalcante disputam a preferência do presidenciável do PL. Neste ano, cada estado elegerá dois senadores. A segunda vaga na chapa do PL é do ex-prefeito de Belford Roxo Márcio Canella (União Brasil). Um dos objetivos do PL é ampliar ainda mais sua bancada na Casa, que já é a maior da legislatura atual, para atingir o quórum necessário para aprovar o impeachment de ministros do STF. Como contamos no blog no último dia 16, a pré-campanha de Douglas Ruas torcia discretamente pela desistência de Castro desde a operação relacionada à Refit. O presidente da Assembleia temia justamente que novas operações como a do caso Master trouxessem mais desgaste para a chapa do PL. Relação com Vorcaro A representação da Polícia Federal que embasou a operação da última terça-feira detalhou o pagamento de despesas de luxo para Castro em Nova York, como uma degustação de uísque para dez convidados que custou US$ 1 milhão, e dois jantares no badalado restaurante Nusr-Et, do chef celebridade Salt Bae, um deles ao custo de R$ 66 mil. Além disso, como mostramos no blog, a relação entre o então governador do Rio e o dono do Master se estendia a convites para camarotes, festas e churrascos que eram efusivamente celebrados por Castro. Tudo era custeado pelo banqueiro. Os delegados da PF indicaram ter localizado nove encontros entre Castro e Vorcaro, sempre em datas próximas a aportes do Rioprevidência. Ao todo, o fundo de previdência aplicou quase R$ 3,7 bilhões em papéis do Master, entre letras financeiras e fundos ligados ao banco de Vorcaro. A Cedae, companhia de saneamento do governo do estado, também colocou R$ 218 milhões. Revés político As operações da PF e a desistência de Castro constituem um duro revés político para o ex-governador do PL. Eleito vice na chapa de Wilson Witzel (PSC) em 2018, ele assumiu interinamente o estado após o afastamento de Witzel pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) em maio de 2020 por suspeitas de desvios na área da Saúde durante a pandemia de Covid-19. Witzel acabaria sofrendo impeachment na Alerj em abril de 2021, e Castro assumiu o cargo em definitivo. Foi reeleito no primeiro turno em 2022 com quase 60% dos votos, derrotando Marcelo Freixo (PSB) e Rodrigo Neves (PDT), entre outros candidatos. Após amargar índices altos de desaprovação, o então governador se viu reabilitado nas pesquisas após a sangrenta operação policial nos complexos do Alemão e da Penha que deixou 121 mortos em outubro passado. Mais recentemente, a aprovação caiu novamente, mas Castro continuava na liderança da corrida pelo Senado.