Membros do governo do presidente Donald Trump têm pressionado o órgão responsável pela impressão do dinheiro americano a desenvolver uma nota de US$ 250 com o retrato do republicano. A informação foi revelada por quatro funcionários atuais e ex-funcionários ao Washington Post. Se implementada, a medida resultará na primeira aparição de uma pessoa viva na moeda americana em mais de 150 anos. Segundo a reportagem, desde 2025, os indicados políticos ao Departamento do Tesouro dos EUA, Brandon Beach e Mike Brown, pressionaram repetidamente funcionários do Escritório de Gravura e Impressão a preparar protótipos da nota. A iniciativa teria gerado preocupação nos funcionários, uma vez que a legislação americana proíbe desde 1866 a presença de pessoas vivas nas cédulas do país, após a imagem de um funcionário do Tesouro ter sido colocada em uma nota de 5 centavos. No ano passado, um projeto de lei foi apresentado ao Congresso para autorizar Trump a aparecer em uma nota de US$ 250 em homenagem aos 250 anos da independência dos Estados Unidos, mas a proposta não avançou. Em nota, um porta-voz do Departamento do Tesouro disse que o órgão responsável pela impressão da moeda americana está realizando “o planejamento adequado e a devida diligência” em relação à proposta legislativa. Conforme relatos dos funcionários ao Washington Post, Beach teria entregado em agosto e setembro aos técnicos do Escritório de Gravura e Impressão diferentes versões de uma possível nota de US$ 250, incluindo um modelo com o rosto de Donald Trump no centro da cédula, entre as assinaturas do presidente e do secretário do Tesouro, Scott Bessent. O autor do desenho, o artista britânico Iain Alexander, afirmou ao jornal ter discutido diretamente o projeto com Trump. Segundo ele, o presidente sugeriu alterações no modelo original, incluindo a incorporação das cores da bandeira americana e de um selo comemorativo dos 250 anos da independência dos Estados Unidos. Conforme a matéria, a diretora do escritório de impressão, Patricia Solimene, e outros funcionários, porém, teriam explicado a Beach e Brown que havia obstáculos legais e processuais para produzir a nota e que o processo levaria anos a mais do que eles imaginavam. Em 27 de abril, Solimene foi “abruptamente removida do cargo” pela direção do Tesouro, segundo um relato por email seu a colegas obtido pelo Washington Post. De acordo com os quatro funcionários entrevistados pelo Post, Solimene e sua equipe aceitaram outro pedido do governo Trump: a impressão de notas de US$ 100 com a assinatura do presidente. As cédulas, que seriam as primeiras na história dos EUA a exibir a assinatura de um presidente em exercício, estariam sendo produzidas atualmente na gráfica do escritório no centro de Washington. A proposta da nota de US$ 250 faz parte dos preparativos do governo Trump para as celebrações dos 250 anos da independência dos Estados Unidos, previstas para começar em julho. Entre as ideias defendidas pelo presidente republicano estão a construção de um arco triunfal de 250 pés próximo ao Cemitério Nacional de Arlington e de um “Jardim dos Heróis” em Washington com 250 estátuas. Em mais um movimento ligado às comemorações, o Departamento de Estado anunciou no mês passado que passará a emitir passaportes com o retrato e a assinatura de Trump, medida que pôde ser adotada sem aval do Congresso.