A Rússia assinou nesta quinta-feira (28) um acordo com o Cazaquistão para construir a primeira usina nuclear do maior país da Ásia Central, a um custo de cerca de US$ 16,5 bilhões, parcialmente coberto por um grande empréstimo de exportação concedido por Moscou. O Cazaquistão, maior produtor mundial de urânio e país que sofreu os efeitos da contaminação causada pelos testes nucleares soviéticos, discute a possibilidade de adotar energia nuclear há pelo menos duas décadas. Um referendo realizado em 2024 aprovou a construção de uma usina nuclear e definiu a vila de Ulken, às margens do lago Balkhash, no sudeste do país, como local do projeto. “O acordo assinado hoje para a construção da usina nuclear de Balkhash tem um papel importante”, disse o presidente do Cazaquistão, Kassym-Jomart Tokayev, antes de agradecer ao presidente russo, Vladimir Putin, que estava em Astana para conversas, pelo apoio. “A entrada em operação da usina dará uma contribuição significativa para o fornecimento de energia à economia cazaque”, afirmou Putin. Os dois lados também assinaram um acordo para concessão de crédito de exportação russo para financiar a construção da usina. O presidente da Rússia, Vladimir Putin, e o presidente do Cazaquistão , Kassym-Jomart Tokayev, participam de uma cerimônia de boas-vindas antes de uma reunião em Astana, Cazaquistão, em 28 de maio de 2026 — Foto: REUTERS/Turar Kazangapov O caminho nuclear do Cazaquistão A estatal nuclear russa Rosatom conquistou o papel principal na construção da usina, superando a China National Nuclear Corporation (Cnnc), a francesa EDF e a Korea Hydro & Nuclear Power, segundo a agência de energia atômica do Cazaquistão. O chefe da agência de energia atômica do Cazaquistão, Almasadam Satkaliyev, disse a jornalistas que o custo da usina — com dois reatores VVER-1200 III+ — será de cerca de US$ 16,5 bilhões, incluindo aproximadamente US$ 2 bilhões destinados à segurança e à infraestrutura. A construção começará em 2027 e o primeiro reator deverá entrar em operação no início de 2034, segundo Satkaliyev. O Cazaquistão foi palco de centenas de testes de armas nucleares soviéticas que tornaram grandes áreas de terra inabitáveis, causaram inúmeras doenças em pessoas que vivem nas proximidades e deixaram muitos cidadãos desconfiados em relação a qualquer atividade nuclear. Mas o país precisa de energia. Apesar de possuir grandes reservas de gás natural, a nação centro-asiática de 20 milhões de habitantes depende principalmente de usinas movidas a carvão para suprir sua demanda elétrica, complementadas por algumas hidrelétricas e por um setor de energia renovável em expansão. O Cazaquistão já importa eletricidade, principalmente da Rússia, já que suas próprias instalações de geração, muitas delas envelhecidas, têm dificuldade para atender à demanda doméstica. O país também aprovou a construção de uma segunda usina nuclear, com a estatal chinesa Cnnc selecionada como principal construtora. O presidente russo Vladimir Putin e o presidente cazaque Kassym-Jomart Tokayev posam para uma foto antes de uma reunião no Palácio da Independência em Astana, Cazaquistão, em 28 de maio de 2026 — Foto: Sputnik/Alexander Kazakov/Pool via REUTERS