A saturação estrutural do aeroporto de Lisboa, a concentração de voos em certas horas e a falta de preparação para o novo sistema europeu estão entre as principais causas das filas no controlo de fronteiras, segundo especialistas ouvidos pela Lusa. Apesar de Bruxelas rejeitar que os problemas nos aeroportos portugueses resultem do novo Sistema de Entrada/Saída da União Europeia, conhecido como EES, os especialistas consideram que o sistema aumentou a pressão sobre uma infra-estrutura já limitada."Todos os problemas não podem ser atribuídos exclusivamente ao novo sistema europeu. No entanto, também é verdade que a União Europeia, que é frequentemente muito normativa e burocrática, nem sempre olha de forma prática para a realidade de cada aeroporto", afirmou à Lusa Rui Quadros, antigo gestor da Iberia, PGA e SATA, acrescentando que a implementação de sistemas como o EES deveria ser acompanhada por avaliações e prazos caso a caso, compatíveis com a capacidade real de cada infra-estrutura.Para o professor na Atlântica — Instituto Universitário, "o problema português parece resultar mais da incapacidade estrutural de absorver esta nova necessidade: aeroporto saturado, margem física reduzida, recursos humanos limitados, falhas tecnológicas e preparação operacional insuficiente". O especialista aponta ainda que os actuais constrangimentos já não são "apenas a existência de filas no controlo fronteiriço", uma vez que a "congestão espalha-se para corredores, zonas comerciais e de restauração, afectando até passageiros europeus e Schengen antes de o fluxo se dividir".