O Exército de Israel declarou, nesta quarta-feira (27), que uma nova faixa no sul do Líbano será considerada como "zona de combate" e afirmou que os moradores da área devem se deslocar para o norte, ao alertar que atuará com "grande força" contra o grupo Hezbollah na região. O comunicado militar, publicado em uma postagem no X, pareceu sinalizar uma nova escala no conflito após mais de 120 ataques terem atingido o sul e o leste do Líbano na terça (26), apesar de um cessar-fogo em vigor desde o dia 16 de abril. “Aconselhamos os moradores do sul do Líbano a se retirarem para o norte do rio Zahrani, já que todas as áreas ao sul do rio são consideradas zona de combate”, publicou um porta-voz militar israelense no X. O rio Zahrani corre de leste a oeste cerca de 40 quilômetros ao norte da fronteira de Israel com o Líbano, e o território libanês ao sul dele cobre cerca de 2 mil quilômetros quadrados. O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, afirmou, na terça-feira, que Israel precisa tomar novas medidas no Líbano para proteger as comunidades do norte de Israel contra o Hezbollah. O Exército israelense já havia ordenado anteriormente que pessoas ao sul do rio Litani, mais ao sul, deixassem a área. Também emitiu ordens individuais de evacuação e realizou ataques em várias dezenas de cidades entre os rios Litani e Zahrani. A ordem desta quarta-feira foi a primeira vez em que moradores foram instruídos a evacuar toda a zona ao sul do Zahrani. Os militares israelenses pediram que civis se mantivessem afastados de integrantes do Hezbollah, instalações e depósitos de armas do grupo. Fontes de segurança libanesas disseram à Reuters que pessoas estavam fugindo para o norte, em direção à cidade portuária de Sidon, que já abriga milhares de deslocados de outras partes do sul do Líbano. O novo comunicado foi divulgado enquanto muçulmanos em todo o Líbano celebravam o Eid al-Adha. Mais de 1,2 milhão de libaneses foram deslocados por ataques israelenses e ordens de evacuação desde 2 de março, quando o Hezbollah disparou contra Israel em apoio ao seu aliado Irã. Desde então, ataques israelenses devastaram o sul e o leste do Líbano e também a capital, Beirute, matando mais de 3,2 mil pessoas, segundo o Ministério da Saúde libanês. Os confrontos continuaram no sul do Líbano apesar do cessar-fogo mediado pelos EUA anunciado em 16 de abril. A Organização Mundial da Saúde afirmou que ao menos 608 pessoas no Líbano foram mortas em ataques israelenses desde a trégua. O Exército israelense disse que 10 de seus soldados morreram desde o cessar-fogo de 16 de abril, seis deles em ataques com drones explosivos do Hezbollah. Os militares israelenses ampliaram suas operações terrestres no sul do Líbano para além da zona de segurança ocupada por suas tropas, mas não deram detalhes sobre o alcance do avanço além da chamada Linha Amarela. A capital libanesa, Beirute, foi poupada de novos ataques, embora drones de vigilância israelenses sejam ouvidos diariamente sobrevoando a cidade e um caça tenha sido ouvido voando em baixa altitude nesta quarta-feira, segundo repórteres da Reuters no local. Três altos funcionários israelenses disseram que Israel acredita ter liberdade de ação no sul do Líbano, mas menos margem em Beirute. As autoridades disseram à Reuters que Israel não quer ser visto como responsável por inviabilizar um possível acordo entre o presidente dos EUA, Donald Trump, e o Irã ao destruir edifícios na capital libanesa.
Israel declara nova área do Líbano como 'zona de combate'
Comunicado militar parece sinalizar nova escala no conflito após mais de 120 ataques terem atingido o sul e o leste do Líbano na terça (26)













