Com mais uma exibição irrepreensível em Paris, Nuno Borges vai tentar, pelo segundo ano consecutivo ser o primeiro tenista português a chegar aos oitavos-de-final no Torneio de Roland-Garros. O tenista da Maia teve de ultrapassar um início um pouco apático para superiorizar-se ao mais experiente Miomir Kecmanovic e, pela sétima vez nos últimos dez torneios do Grand Slam em que participou, atingir a terceira ronda.“Orgulho-me da minha consistência, principalmente nos torneios do Grand Slam. Acho que é aquilo que me define. Nunca fui um jogador de, do nada, ganhar um torneio, até àquela vez em que realmente ganhei [Bastad, em 2024]. Mas acho que, se forem ver os jogos, não foram assim tão surpreendentes, até que realmente cheguei à final e foi uma grande diferença. Vou aumentando o meu nível até estar cada vez mais taco a taco com os melhores do mundo e as vitórias vão aparecendo. Orgulho-me disso, de estar constantemente nos grandes palcos e ter resultados”, revelou Borges ao site Raquetc, após derrotar Kecmanovic (48.º), por 3-6, 6-2, 6-1 e 6-2.Durante as duas horas e 12 minutos, Borges (51.º) perdeu uma única vez o serviço, logo a abrir o encontro, o que lhe custou o set inicial para um adversário com provas dadas no ATP Tour, onde já conquistou dois títulos e esteve em mais três finais, com destaque para a do Millennium Estoril Open de 2023. A partir daí, Borges anulou os quatro break-points que enfrentou; um no segundo set e os restantes na última partida, inclusive no derradeiro jogo. No total, o maiato somou 45 winners, dos quais 13 ases, e a maior agressividade levou-o a cometer mais erros, 50, do que Kecmanovic (42), embora 19 desses erros tenham acontecido no primeiro set.“Por alguma razão, cometi muitos erros muito cedo e demorei a encontrar o meu ténis. Depois engatei um bom jogo de resposta e, de repente, estava completamente metido no encontro. Com o desenrolar senti-me cada vez mais superior, o meu serviço melhorou e a nível físico e anímico senti-me melhor e com mais energia do que ele. Isso ajudou-me a crescer no encontro e a encontrar o meu ténis, mas também cresci com a maneira como ele demonstrou estar” explicou ainda.Na terceira ronda, Borges enfrenta Andrey Rublev (13.º), que somou a nona vitória nos últimos 12 encontros, diante de Camilo Ugo Carabelli (59.º), com os parciais de 6-1, 1-6, 6-3 e 7-6 (7/5). Borges perdeu os quatro duelos anteriores com o russo, o último dos quais (e único em terra batida), há sete semanas em Monte-Carlo, em que, finalmente, ganhou um set (6-4, 1-6 e 6-1).“É muito agressivo com a primeira bola a seguir ao serviço, faz-me sentir que não consigo jogar o meu jogo porque não me dá muito tempo. Consegue controlar os inícios de jogada, mas acho que eu tenho feito isso cada vez melhor e que cada vez mais tenho momentos em que consigo converter o ascendente para o meu lado. Num jogo assim pode haver muitas oportunidades e não temos um ténis muito diferente, por isso pode ser que consiga fazê-lo sentir da mesma maneira. Procuramos um bocadinho as mesmas coisas, controlar o campo e não sair muito da linha de fundo, responder mais à frente e controlar. Depois a minha direita e a minha esquerda são muito diferentes das dele, mas no fundo procuramos um estilo de jogo semelhante. Mas sei que ele não é um robot e que às vezes tem momentos menos bons, por isso vou tentar aproveitar essas oportunidades”, adiantou Borges, sobre o adversário que nesta época de terra batida, esteve na final de Barcelos e “quartos” em Roma.Borges volta ao court esta quinta-feira para actuar na prova de pares ao lado do chinês Zhizhen Zheng, praticamente à mesma hora em que também Francisco Cabral e Joe Salisbury, cabeças de série n.º 8, se estreiam. Antes, a abrir o court 12, Jaime Faria (115.º) disputa a segunda ronda com o alemão Jan Lennard Struff (80.º).Na prova feminina, destaque para a eliminação de Elena Rybakina (2.ª). A bielorrussa serviu para fechar o encontro no terceiro set, mas foi vítima dos seus 71 erros directos que contribuíram decisivamente para a primeira vitória da ucraniana Yuliia Starodubtseva (55.ª) sobre uma top 10, por 3-6, 6-1 e 7-6 (10/4).
Nuno Borges após triunfo em Roland-Garros: “Orgulho-me da minha consistência”
Torneio francês perdeu a número dois do ranking feminino, Elena Rybakina.













