O preço de itens como batata, tomate, carne e leite pressionaram a inflação de alimentos — Foto: Júlia Aguiar/Agência O Globo RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 27/05/2026 - 10:20 Inflação afeta famílias pobres com alta dos alimentos e previsão de El Niño A inflação pressiona o orçamento das famílias, especialmente as mais pobres, devido ao aumento nos preços dos alimentos, que subiu 1,73%. O IPCA-15 desacelerou para 0,62% em maio, mas a inflação anual chegou a 4,64%. A guerra e a sazonalidade elevam preços de itens como batata e tomate. Combustíveis tiveram queda, mas alimentos devem continuar afetados, especialmente com a previsão de um forte El Niño. Analistas projetam Selic em 13,50%. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO A pressão sobre a inflação continua, especialmente sobre o que mais pesa no orçamento das famílias, sobretudo as mais pobres: os alimentos. A alimentação no domicílio subiu 1,73%, um pouco menor do que a de abril, quando foi de 1,77%, mas ainda muito alta. Entre os grupos com os maiores aumentos estão também saúde e gastos pessoais, que subiram 1,05%, e habitação, com alta de 1,03%. Os dados divulgados nesta quarta-feira pelo IBGE mostram a desaceleração do IPCA-15 em maio, com variação de 0,62%, ante os 0,89% apurados em abril. Ainda assim é a maior para o mês em uma década. Em 12 meses, a inflação acelera para 4,64%, ultrapassando o teto da meta pelo primeira vez desde outubro do ano passado. No Boletim Focus, desta semana, os analistas de mercado ouvidos pelo Banco Central já projetam uma taxa em 5,04% ao fim deste ano. O resultado de maio é uma combinação dos efeitos da guerra com a sazonalidade dos alimentos, que pressiona, por exemplo, os preços da batata-inglesa (26,29%), do tomate (12,97%), do leite longa vida (6,07%) e das carnes (1,98%), itens com maior alta no mês. -A desaceleração vem na esteira dos combustíveis. O choque do petróleo ocorrido por conta da guerra no Oriente Médio está se dissipando. Os preços tiveram uma alta forte, mas agora há uma certa normalização, ou seja, uma menor volatilidade. É justamente esse resultado que temos observado quando analisamos o que influenciou a desaceleração - explica o economista Matheus Dias, pesquisador do FGV Ibre. Os combustíveis desaceleraram de 6,06% em abril para -1,47% em maio, com queda de 2,73% no etanol, de 2,04% no diesel e diminuição de 1,32% no preço da gasolina. Dias esclarece que as medidas implementadas pelo governo para conter a alta dos combustíveis ainda não se refletem no resultado do IPCA-15: - Ainda não houve tempo para isso. O que vemos é, de fato, a dinâmica do mercado. Marcela Kawauti, economista-chefe da Lifetime, diz que a análise dos efeitos da guerra sobre a inflação brasileira pode ser melhor observada por meio do núcleo que exclui os preços de alimentação e combustíveis. O indicador ficou em 4,76% em maio no acumulado em 12 meses, acima dos 4,64% do mês anterior, indicando a possibilidade de repasse dos efeitos d conflito entre Estados Unidos e Irã para os demais preços da economia Luis Otávio Leal, da G5 Partners, pontua ainda que a resiliência dos preços dos alimentos, em um momento em que já deveriam estar desacelerando de forma mais forte, indica que provavelmente o resultado do IPCA deste ano deve ficar de fato acima de 5,0%. Ele ressalta que o grupo alimentos ainda será impactado por um El Niño que promete ser o mais forte da história. Com isso, avalia, que fica reduzido o espaço para o Banco Central continuar o seu processo de “calibração” dos juros. Leal projeta a Selic em 13,50% no fim do ano, mas inclui na sua estimativa um viés de alta.