O défice da balança comercial de bens em Portugal aumentou 3752 milhões de euros em 2025, face ao ano precedente, atingindo o valor de 32.100 milhões, segundo os dados do comércio externo divulgados nesta segunda-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE)."Esta evolução desfavorável resultou de um acréscimo das importações (+4169 milhões de euros) superior ao das exportações (+417 milhões de euros). Os fornecimentos industriais, o material de transporte e os produtos alimentares e bebidas foram as categorias que mais penalizaram o défice em 2025 (agravamentos de, respectivamente, 1255, 1243 e 1234 milhões de euros)", detalha o INE, na nota divulgada nesta segunda-feira, 9 de Fevereiro.Decompondo o resultado final, a autoridade estatística nacional conclui que os primeiros resultados de 2025 apontam para um aumento de 0,5% nas exportações (o que traduz uma desaceleração do ritmo de crescimento que tinha sido de 2% em 2024).Porém, esta variação positiva passa a negativa se forem excluídas as transacções sem transferência de propriedade que, como nota o INE, tiveram "um impacto positivo" no resultado final. Este tipo de transacções diz respeito a mercadorias que atravessam fronteiras nacionais (seja como exportação ou importação) sem que haja uma mudança de titularidade, isto é, quem recebe os bens não se torna o seu proprietário final. São operações registadas nas estatísticas do comércio internacional, mas que diferem das transacções comerciais normais (em que há mudança de propriedade) na balança de pagamentos.Exemplos comuns deste tipo de transacções sem transferência de propriedade nas exportações são, por exemplo, o envio de bens para outros países para serem transformados, montados, que depois regressam ou não ao país de origem.Excluindo todas estas transacções, afirma o INE, a variação positiva de 0,5% nas exportações face a 2024 passa a negativa (-1,6%) em 2025.Nas importações, a variação homóloga foi positiva em 3,9% face a 2024, traduzindo uma aceleração do ritmo de crescimento das compras do país ao exterior (aumento de 2% em 2024). Excluindo as transacções sem transferência de propriedade, o ritmo de crescimento das importações é bastante atenuado, descendo dos referidos 3,9% para 2,3%.Por categorias, a de fornecimentos industriais foi a que "registou o maior défice (6900 milhões de euros), depois de ter sido a terceira em 2024". "O segundo maior défice foi registado na categoria máquinas e outros bens de capital (6828 milhões de euros), depois de assumir a primeira posição em 2024 (...)", destaca o INE.Tirando as transacções sem transferência de propriedade, o défice da balança comercial agrava-se ligeiramente, para 32.309 milhões de euros (traduzindo uma deterioração deste indicador em 3544 milhões de euros face a 2024).Alemanha reforçada nas exportações"Em 2025, as exportações nacionais atingiram 79.312 milhões de euros, correspondendo a um aumento anual de 0,5% (+417 milhões). O mercado que mais contribuiu para este acréscimo foi a Alemanha, que se manteve como o segundo principal destino dos bens nacionais (atrás da Espanha)", refere o INE.A Alemanha representa assim 13,9% das exportações portuguesas, depois de em 2025 terem aumentado 14,5% (+1402 milhões de euros). Foi o mercado de maior crescimento para os bens portugueses, que são maioritariamente fornecimentos industriais de Portugal para a Alemanha. "Em grande medida – esclarece o INE –, resultaram de transacções sem transferência de propriedade."Em sentido contrário, "o mercado que mais penalizou as exportações nacionais em 2025 foi o dos Estados Unidos, com um decréscimo de 13,4% face ao ano anterior (-715 milhões de euros), devido essencialmente à diminuição dos combustíveis e lubrificantes".Notícia corrigida a 10/02/2026: numa versão anterior, incluiu-se como exemplo de transacções sem transferência de propriedade os bens que mudam de fronteira para reparação ou são enviados de ou para armazéns, referências que foram retiradas do parágrafo nove.