O ex-candidato à Presidência da República e ex-chefe do Estado-Maior da Armada, Henrique Gouveia e Melo, entende que depois de o Estado ter falhado “na capacidade de resposta” ao mais recente “ciclo de tempestades”, a ministra da Administração Interna, Maria Lúcia Amaral, deveria pedir a sua exoneração.Num artigo de opinião para o PÚBLICO, Gouveia e Melo defende que “o primeiro-ministro deve reflectir se, perante a evidente falta de preparação e capacidade da ministra da Administração Interna, esta tem condições para permanecer no lugar”. “Parecer-me-ia adequado que a senhora ministra pedisse, por sua própria iniciativa, a sua exoneração — a bem do Governo e do país”, destaca.Para o ex-candidato presidencial, o Governo “falhou na organização da resposta” às tempestades como “falhou no passado, nos incêndios”.“Falhámos no planeamento, no aviso antecipado, nos alertas claros à população, na comunicação do perigo e no aconselhamento prático sobre o que deveria ser feito. Falhámos na prontidão desejável e na capacidade de resposta”, escreve. E destaca que “nestes momentos críticos, torna-se evidente que Portugal fica ciclicamente refém de uma retórica política vazia de soluções”.Gouveia e Melo interpreta a acção do Governo, que anunciou um pacote de 2,5 milhões de euros em apoios como uma “simulação”, “depois da inacção e da desorganização”: “enumeram-se ajudas, anunciam-se facilidades, visitam-se piedosamente os afectados”. Para o ex-candidato, este gesto é, “na maioria das vezes, espectáculo — distracção do essencial e tentativa de esconder do público a incapacidade, a desorganização e a falta de rumo”.“O Estado falhou”, insiste: “No tempo da resposta, na inexistência de uma cadeia verdadeira de comando, controlo, coordenação e comunicação. E falhou, acima de tudo, na liderança que se esperava e era necessária.”