O Presidente do Senegal, Bassirou Diomaye Faye, nomeou o economista Ahmadou Al Aminou Mohamed Lo como novo primeiro-ministro do país, depois de ter demitido durante o fim-de-semana Ousmane Sonko, na sequência de meses de tensões entre os até então aliados.“O Presidente da República, Sua Excelência Bassirou Diomaye Faye, nomeou Al Aminou Lo para o cargo de primeiro-ministro do Senegal”, declarou a Presidência senegalesa num comunicado divulgado nas redes sociais, no qual desejou “pleno sucesso” ao novo chefe do Governo “nas suas funções ao serviço da nação”.“Esta nomeação enquadra-se na vontade do Presidente da República de impulsionar a aplicação das prioridades nacionais, reforçar a eficácia da acção pública e acelerar as reformas em benefício do povo senegalês”, sublinhou ainda a presidência senegalesa.Lo, de 60 anos, prometeu assumir as suas funções “com humildade e determinação”, dando continuidade às “conquistas” do Executivo anterior e em linha com a Visão 2025, destinada a alcançar “um Senegal soberano, justo e unido”, segundo a agência estatal senegalesa de notícias APS.Neste sentido, reconheceu a difícil situação das finanças públicas, em parte devido ao conflito no Médio Oriente, e sublinhou que o país “se encontra num ponto de viragem que exige a mobilização da nação”, algo que passa por “uma mudança de método na coerência institucional e na acção governativa”.O novo primeiro-ministro senegalês, Ahmadou Al Aminou Mohamed Lo, era até agora secretário de Estado da Presidência e responsável pelo acompanhamento da Visão 2050. Anteriormente, foi director nacional do Banco Central dos Estados da África Ocidental (BCEAO), cargo que ocupou entre 2018 e 2023.Sonko, presidente do ParlamentoEm paralelo, Ousmane Sonko retomou esta terça-feira o seu lugar na Assembleia Nacional do Senegal, tendo sido eleito presidente, substituindo Malick Ndiaye, que apresentou a demissão ao final do dia de domingo, dois dias depois da destituição do então primeiro-ministro.Sonko foi eleito com 132 votos a favor, uma abstenção e nenhum voto contra, depois de a oposição ter abandonado o hemiciclo em protesto contra o que considera serem irregularidades na sua reintegração no Parlamento como deputado, permitindo-lhe candidatar-se à sucessão de Ndiaye.Ao anunciar a sua demissão, Ndiaye invocou “a responsabilidade pública e o bem comum da nação”, antes de sublinhar que se tratava de “uma escolha pessoal”, guiada também pela sua “compreensão das instituições”, sem fazer qualquer referência à demissão de Sonko e aos seus desentendimentos com Bassirou Diomaye Faye.As tensões entre Sonko e Faye intensificaram-se em torno da agenda de reformas promovida pelo chefe de Estado, que prepara igualmente uma reforma constitucional e uma reorganização institucional. Entre os episódios mais marcantes contam-se declarações de Sonko, em Março, nas quais afirmou estar disposto a devolver o partido Patriotas Africanos do Senegal pelo Trabalho, Ética e Fraternidade (PASTEF) — do qual ambos fazem parte — “às fileiras da oposição”, caso o Presidente senegalês não se “alinhasse” com a sua visão para o país.O chefe de Estado tomou posse a 2 de Abril de 2024, depois de vencer na primeira volta o ex-primeiro-ministro Amadou Ba, escolhido pelo partido no poder para tentar suceder a Macky Sall, cumpridos os seus dois mandatos constitucionais, e depois da detenção e da exclusão dos boletins de voto de Sonko, considerado a principal figura da oposição.
Senegal: zanga entre aliados leva Presidente a nomear um novo primeiro-ministro
Bassirou Diomaye Faye foi candidato à presidência porque Ousmane Sonko estava preso, mas divergências levaram à nomeação de um novo primeiro-ministro e Sonko passou a presidente do Parlamento.










