Carlos Peinado, juiz de instrução de Madrid, convocou Begoña Goméz, mulher do presidente do Governo espanhol, Pedro Sánchez, para uma “audiência preliminar” no dia 9 de Junho, no âmbito de uma investigação a supostos crimes de tráfico de influências e corrupção.Tal como ela, também outras duas pessoas — a sua assessora, Cristina Álvarez, e o empresário Juan Carlos Barrabés (que teria sido beneficiado na obtenção de contratos públicos) — foram convocados para comparecerem “pessoalmente” a tribunal. Caso não o façam de livre vontade, serão “conduzidos pela força pública”, avisou o juiz, que não exclui que se “adopte alguma medida cautelar de natureza pessoal que evite ou minimize” o alegado risco de fuga, perante a “extensão” das possíveis penas de prisão que enfrentam.É mais um caso que afecta o líder socialista espanhol — ainda que os indícios abonem a seu favor. O último relatório da unidade especializada em crimes de corrupção (UCO) da Guarda Civil, entregue na segunda-feira, põe por escrito algumas das conclusões que faltavam sobre as suspeitas de que Begoña Gómez teria usado a cátedra que tinha na Universidade Complutense de Madrid para retirar dali benefícios próprios, em troca de “decisões públicas” favoráveis a determinadas empresas.A UCO não descobriu nada que contribuísse para essa tese. A “informação bancária” das várias contas de Begoña Gómez (incluindo aquelas que partilha com o marido ou algumas em nome das filhas) mostram movimentações de acordo “com as suas actividades profissionais”, cita o El País, que teve acesso ao relatório de mais de 317 páginas.As únicas dúvidas surgem em relação às contas vinculadas à Transforma TSC, uma sociedade criada para explorar um software desenvolvido na cátedra, mas sem provas de que os valores movimentados “possam ter relação com os factos” sob investigação. O administrador da empresa associada à transferência, a Innovación Hexagonal, Raúl Olivan afirma ao mesmo jornal que os pagamentos correspondem a um “ciclo de workshops sobre sustentabilidade” em cinco cidades espanholas.Depois deste relatório, de terem sido apresentadas as conclusões da defesa e do Ministério Público – que sempre alegaram que o assunto não tem revestimento penal e pedem a absolvição de todos os acusados —, assim como as das acusações populares da organização ultracatólica Hazte Oír (que pede 24 anos de prisão para Gómez) e de se ter ouvido uma última testemunha no dia 14 de Maio, “não existem” mais diligências de investigação pendentes. É o culminar de mais de dois anos de investigação.Em Abril, Peinado propôs que a mulher de Sánchez fosse julgada por um tribunal popular por quatro delitos: tráfico de influências, corrupção, desvio de fundos públicos e apropriação indevida. Depois disso, anunciou a sua intenção de determinar se houve desvio de dinheiro público na contratação de Álvarez como assessora, havendo suspeitas de que colaborou nas actividades privadas de Begoña Gómez.O juiz acredita que existiu uma “mudança na trajectória profissional” de Gómez desde que Sánchez chegou à Moncloa. A primeira denúncia foi apresentada pela associação Mãos Limpas, ligada à direita radical, à qual acrescentaram elementos a organização ultracatólica Hazte Oír e o próprio Vox.Begoña Gómez sempre negou qualquer irregularidade e, ao longo deste processo, Pedro Sánchez não mostrou ter qualquer dúvida sobre a inocência da mulher, pedindo apenas à “Justiça que faça justiça”.
Mulher do presidente do Governo espanhol vai a tribunal em Junho
Um relatório recente da unidade anticorrupção da Guarda Civil não encontrou provas de que Begoña Gómez tenha usado a sua cátedra na Universidade Complutense de Madrid para benefício próprio.












