Um tribunal bloqueou nesta terça-feira (26) o Estado do Alabama de usar um mapa eleitoral favorável aos republicanos que eliminaria um dos dois distritos da Câmara dos Representantes dos EUA com população majoritariamente negra. O movimento representa um revés para o partido do presidente Donald Trump em sua tentativa de manter o controle da Casa nas eleições de novembro. Em uma decisão de 79 páginas, um painel de três juízes federais afirmou que o mapa apoiado pelos republicanos discriminava intencionalmente eleitores negros e não poderia ser usado nas eleições de 2026. Autoridades republicanas do Alabama disseram imediatamente que irão recorrer da decisão à Suprema Corte dos EUA, de maioria conservadora. Eleitores negros normalmente apoiam candidatos democratas. Os republicanos defendem maiorias apertadas tanto na Câmara quanto no Senado nas eleições legislativas de meio de mandato. A governadora republicana do Alabama, Kay Ivey, já havia adiado para agosto as primárias partidárias de quatro distritos da Câmara redesenhados como parte do mapa contestado. A decisão é o mais recente capítulo de uma nova e intensa rodada de mudança dos distritos eleitorais no sul dos EUA, enquanto Estados liderados por republicanos tentam aproveitar uma decisão da Suprema Corte de abril que enfraqueceu significativamente a Lei dos Direitos de Voto, legislação de 1965 criada para prevenir discriminação eleitoral. Tennessee e Louisiana já desmontaram distritos majoritariamente negros para a Câmara dos EUA, enquanto o Senado da Carolina do Sul debate um plano que desmembraria o distrito do deputado Jim Clyburn, democrata negro que ocupa a cadeira desde 1993. No Alabama, legisladores republicanos tentam restaurar um mapa aprovado em 2023 que o mesmo painel de juízes já havia considerado discriminatório. Há duas semanas, a Suprema Corte aceitou um pedido do Estado para suspender a decisão anterior do tribunal inferior que impedia o uso do mapa, o qual fragmenta um distrito em que eleitores negros representam pouco menos de 50% da população. Eleitores brancos correspondem a cerca de 40% do distrito, enquanto asiáticos, hispânicos e outros grupos minoritários completam o restante. O distrito é atualmente representado pelo deputado negro Shomari Figures. O Alabama, onde negros representam cerca de um quarto da população, possui sete cadeiras na Câmara dos EUA. Os democratas controlam os dois distritos de maioria minoritária, enquanto os republicanos ocupam os outros cinco. A Suprema Corte determinou que o painel de três juízes reavaliasse sua decisão à luz do julgamento sobre a Lei dos Direitos de Voto, que elevou o padrão para contestar mapas eleitorais com base em discriminação racial. Mesmo assim, o painel afirmou ter chegado à mesma conclusão: de que o mapa visava deliberadamente e ilegalmente eleitores negros. “No fim das contas, não conseguimos enxergar justificativa para exigir que os eleitores do Alabama votem nas eleições de 2026 sob um plano distrital contaminado por discriminação racial intencional”, escreveram os juízes — dois nomeados por Trump e um indicado pelo ex-presidente democrata Bill Clinton. A decisão significa, por ora, que as primárias especiais de agosto ocorrerão sob o mapa corretivo implementado pelo tribunal em 2023. Local de votação durante a votação primária, 21 de maio de 2024, em Kennesaw, Geórgia — Foto: AP Photo/Mike Stewart, arquivo
Tribunal bloqueia Alabama de eliminar distrito eleitoral majoritariamente negro nos EUA
Movimento representa um revés para o partido do presidente Donald Trump em sua tentativa de manter o controle da Câmara nas eleições de novembro











