O governo de transição da Síria localizou restos do programa clandestino de armas químicas do ex-presidente sírio Bashar al-Assad, incluindo matérias-primas e munições semelhantes às usadas para realizar ataques mortais com gás durante a longa guerra civil do país, disse uma autoridade síria à Reuters nesta terça-feira. As autoridades sírias também prenderam 18 suspeitos de envolvimento no programa de armas químicas de Assad, incluindo altos funcionários militares, políticos e técnicos, afirmou em entrevista Mohamad Katoub, representante permanente da Síria junto à Organização para a Proibição de Armas Químicas (OPAQ), em Haia. Os nomes dos suspeitos não foram divulgados porque a investigação ainda estava em andamento, disse ele, acrescentando que vários haviam servido como major-generais no regime de Assad. Pelo menos quatro estavam em listas de sanções da Europa, do Reino Unido ou dos Estados Unidos, afirmou. A Síria, emergindo de sua guerra civil de 14 anos como aliada do Ocidente, prometeu trabalhar com a comunidade internacional para se livrar de armas de destruição em massa remanescentes que representam risco de proliferação. Munições químicas encontradas A OPAQ afirmou em um relatório divulgado nesta terça-feira que sua equipe na Síria visitou, junto com autoridades sírias, vários locais não declarados considerados de alta prioridade nas regiões costeiras do norte e centro do país. A missão continua em andamento, disse a organização, mas “dezenas de munições químicas não declaradas, como bombas aéreas e foguetes, bem como produtos químicos encontrados separadamente e equipamentos relacionados” foram descobertos. Equipes sírias, trabalhando durante meses com inspetores da OPAQ, localizaram mais de 70 foguetes e bombas aéreas, além de ingredientes brutos para a produção de sarin, um agente neurotóxico usado pelas forças de Assad em ataques que mataram mais de 1.300 pessoas no subúrbio de Ghouta, em Damasco, em agosto de 2013, e em Al-Lataminah, em março de 2017, disse Katoub. Equipamentos de mistura e armazenamento de armas químicas e hexamina, um agente estabilizador conhecido por ter sido usado pelas forças de Assad na produção de sarin, também foram encontrados durante buscas em três locais. “Apesar do sigilo, do perigo e dos imensos desafios de segurança (...) hoje entregamos resultados para o povo sírio e para o mundo”, disse Katoub. “É a primeira vez que tais munições puderam ser recuperadas antes de serem usadas em crimes contra o povo sírio.” Ele afirmou que proteger e armazenar os materiais encontrados contribui para a segurança nacional e global. Investigações conjuntas da ONU e da agência global de fiscalização de armas químicas em Haia já haviam concluído anteriormente que sarin, bem como cloro e gás mostarda sulfúrico, foram usados repetidamente pelo regime de Assad. A OPAQ, que supervisiona a proibição internacional de munições tóxicas, afirmou que até 100 locais em toda a Síria precisam ser inspecionados. A Síria assinou a Convenção sobre Armas Químicas em 2013 e declarou um estoque de 1.300 toneladas, mas o uso proibido continuou. O tamanho do programa remanescente e do estoque restante continua incerto. Em março, a Síria lançou um plano apoiado por Washington para livrar o país do Oriente Médio de suas armas químicas remanescentes.
Síria descobre resquícios do programa secreto de armas químicas de Assad
Mais de 70 foguetes, bombas aéreas e ingredientes brutos são localizados em vários locais do país; ao menos vão 18 presos por envolvimento










