O historiador, jornalista e ensaísta Timothy Garton Ash foi distinguido esta terça-feira com o Prémio Princesa das Astúrias de Ciências Sociais 2026, anunciou o júri.Timothy Garton Ash é um conhecido intelectual público e "um dos mais perspicazes analistas da História recente", diz a Fundação Princesa das Astúrias em comunicado. "Garton Ash é reconhecido como um dos maiores especialistas na transformação da Europa na segunda metade do século XX e no início do século XXI, sobretudo nos países da Europa Central e Oriental​", lê-se na mesma nota. Nos anos 1980, relatou e analisou o fim do comunismo em vários países da Europa Central, precisamente. O autor aborda "temas como a liberdade, a democracia e os direitos humanos", enquadrando-os num olhar sobre "a política global e as relações internacionais, o que lhe permitiu desenvolver uma abordagem multidisciplinar que funde História, ciência política e jornalismo".

​Nascido em Londres em 1955, Timothy Garton Ash licenciou-se em História Moderna no Exeter College da Universidade de Oxford em 1977. Começou a leccionar na mesma instituição em 1986, sendo hoje e desde 2004 professor de Estudos Europeus. É também um Isaiah Berlin Professorial Fellow Emeritus no St Antony's College e membro sénior da Hoover Institution da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos.A sua linguagem acessível "responde tanto às exigências do mundo académico como às do leitor geral interessado", acrescenta o júri, que sublinha que Ash desenvolveu investigação sobre a resistência alemã a Hitler, tendo residido em Berlim Oeste e Berlim Leste. Escreveu para as revistas New York Review of Books e The Spectator e para os jornais The Independent e The Times. Hoje os seus artigos estão no diário espanhol El País ou no britânico The Guardian.O seu livro The Polish Revolution: Solidarity​ (1983) é considerado um dos textos mais influentes sobre a oposição política na Polónia comunista e o papel crucial do sindicato Solidariedade na mudança política do país. Não está traduzido em Portugal, onde foram publicados Pátrias — uma história pessoal da Europa (2023), Liberdade de expressão: dez princípios para um mundo interligado (2017), História do Presente (2001) e O dossier: uma história pessoal (1999).O Prémio Princesa das Astúrias funciona por candidatura apresentada por terceiros; neste caso, foi submetida por Rosa Navarro Durán, professora emérita da Universidade de Barcelona.O júri do prémio foi presidido por Emilio de Champourcin composto por Marta Elvira Rojo, Jorge Freire Gutiérrez, Teresa Freixes Sanjuán, Javier Garciadiego Dantán, Pablo Hernández de Cos, Silvia Iranzo Gutiérrez, Ricardo Martí Fluxá, Manuel Menéndez Menéndez, Sir Robin Niblett, Leandro Prados de la Escosura, María Dolores Puga González, Valerio Rocco Lozano, Fernando Vallespín Oña, Astrid Wagner e Jaime Pérez Renovales.