Os chanceleres da Austrália, Índia, Japão e Estados Unidos assinaram acordos sobre minerais críticos e segurança energética, em uma tentativa de dar novo impulso ao grupo conhecido como Quad. Além disso, os países concordaram em construir conjuntamente um porto em Fiji. A breve reunião entre os principais diplomatas das quatro nações — Penny Wong, da Austrália; S. Jaishankar, da Índia; Toshimitsu Motegi, do Japão; e o secretário de Estado americano, Marco Rubio — foi o terceiro encontro do tipo desde setembro de 2024. O grupo dos quatro países havia perdido parte de seu ímpeto no ano passado após não conseguir realizar uma cúpula de líderes, em razão das tensões entre o presidente dos EUA, Donald Trump, e o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, relacionadas às tarifas impostas por Washington e outros temas. Rubio afirmou que o grupo concordou em lançar uma iniciativa sobre segurança energética no Indo-Pacífico e uma estrutura de cooperação sobre minerais críticos. “Estamos começando a mostrar conquistas reais e resultados concretos”, disse o secretário de Estado americano. “Estamos profundamente comprometidos com essa parceria. Ela é um elemento central e um dos pilares da nossa estratégia global como nação nos Estados Unidos.” O porto de Fiji é o primeiro projeto conjunto de infraestrutura firmado entre os países. Rubio disse que o objetivo é “estabelecer uma parceria em questões de infraestrutura portuária, especialmente em resposta à insuficiência de capacidade portuária nas ilhas do Pacífico”. “Estamos anunciando planos para trabalhar com Fiji”, acrescentou Rubio. Ausência de cúpula de líderes gera dúvidas Segundo Rubio, a estrutura sobre minerais críticos servirá de guia para o uso de instrumentos de política econômica e coordenação de investimentos destinados a fortalecer as cadeias de suprimento desses minerais, incluindo mineração, processamento e reciclagem. A iniciativa pode ser particularmente relevante para o Japão após a China interromper exportações de alguns minerais usados nas indústrias aeroespacial, de defesa e de semicondutores, em meio a uma disputa diplomática. Nova Délhi tem pressionado por uma visita de Trump à Índia, viagem que provavelmente estaria vinculada a uma cúpula do Quad. Analistas questionam se a ausência de engajamento em nível de chefes de governo reduziu a importância do grupo. Os chanceleres não comentaram a possibilidade de uma cúpula neste ano, mas Rubio afirmou no fim de semana que os diplomatas trabalharão para organizar um encontro ainda em 2026. “A ausência de uma cúpula de líderes levantou algumas dúvidas, mas isso não significa necessariamente perda de importância”, disse Premesha Saha, pesquisadora sênior da Asia Society Australia, em Melbourne. “Se o Quad continuar entregando resultados em nível ministerial e nos grupos de trabalho, poderá continuar relevante mesmo sem sinais regulares de engajamento dos líderes.” Os países do Quad compartilham preocupações com o crescimento do poder da China, e Rubio tem enfatizado a importância de manter um “Indo-Pacífico livre e aberto”. Da esquerda para a direita, a Ministra das Relações Exteriores da Austrália, Penny Wong, o Ministro das Relações Exteriores da Índia, S. Jaishankar, o Ministro das Relações Exteriores do Japão, Toshimitsu Motegi, e o Secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, posam para foto no dia da reunião ministerial do Quad , na Hyderabad House, em Nova Delhi, Índia, na terça-feira, 26 de maio de 2026 — Foto: Julia Demaree Nikhinson/Pool via REUTERS Quad não deve mirar terceiros, diz China Uma declaração conjunta dos quatro países afirmou que eles continuam “seriamente preocupados com a situação no Mar da China Oriental e no Mar do Sul da China”, assim como com a “militarização de áreas disputadas” no Mar do Sul da China. O grupo também condenou ataques contra navios comerciais no Oriente Médio e declarou oposição à imposição de pedágios, destacando a importância da segurança e do fluxo ininterrupto do comércio global pelo Estreito de Ormuz e pelo Mar Vermelho. A China reivindica praticamente todo o Mar do Sul da China e construiu instalações militares em áreas disputadas. Diversos países do Sudeste Asiático também reivindicam partes da região. China e Japão mantêm ainda uma disputa territorial separada no Mar da China Oriental. Pequim critica o Quad, classificando-o como um agrupamento nos moldes da Guerra Fria voltado a conter seu desenvolvimento. Nesta terça-feira, a China afirmou que a cooperação entre países deve contribuir para a paz, estabilidade e prosperidade regionais, e não mirar terceiros. “Também não apoiamos a formação de grupos exclusivos ou confrontos entre blocos. Nenhuma cooperação deve minar a confiança mútua e a cooperação entre os países da região”, afirmou Mao Ning, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, em entrevista coletiva diária. A Índia também mantém disputas territoriais com a China, embora Modi tenha sinalizado disposição para melhorar as relações com Pequim em meio às tensões com Trump.
Austrália, Índia, Japão e EUA anunciam acordo sobre minerais críticos
Países, que integram grupo conhecido como Quad, também concordaram em construir conjuntamente um porto em Fiji










