A Intenção de Consumo das Famílias (ICF), calculada pela Confederação Nacional do Comércio, de Bens, Serviço e Turismo (CNC), subiu 1,6% entre abril e maio, para 106,6 pontos. Foi a sétima alta consecutiva e o maior patamar do indicador desde março de 2015, quando estava em 108 pontos. Na comparação com maio do ano passado, o crescimento foi de 3,3%. A CNC destacou o crescimento de 1,1% da disposição do consumidor para a compra de bens duráveis entre abril e maio. Na comparação com maio do ano passado, esse indicador cresceu 18,5%, o que, no entendimento da Confederação sugere a melhora gradual da percepção das famílias, em um contexto de menor pressão inflacionária sobre bens duráveis. A pesquisa mostrou ainda, na passagem de abril para maio, uma alta de 2% no indicador sobre emprego atual, um crescimento de 1,8% no índice que mede a percepção do consumidor sobre a renda atual, e um avanço de 1,4% no nível de consumo. A perspectiva profissional trouxe avanço de 1,1% em maio, enquanto a perspectiva de consumo cresceu 1,7% e o acesso ao crédito subiu 1%. Na comparação com maio do ano passado, houve avanço de 1,2% no emprego atual, de 3,1% na renda atual; de 3,4% no nível de consumo atual; de 2,8% na perspectiva de consumo; e de 7,9% no acesso ao crédito, além dos já citados 18,5% de avanço no momento da compra de bens duráveis. Houve queda de 5,9% na perspectiva profissional. "A ICF mantém trajetória positiva em relação ao ano anterior desde dezembro de 2025, com avanço de 3,3% frente a maio do ano passado", destacou a CNC em nota. Para o presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros, o avanço expressivo no momento para a compra de bens duráveis reflete um alívio inflacionário muito específico e localizado desse segmento, mas o comércio ainda caminha em trajetória de incertezas. “Não podemos ignorar que a taxa Selic permanece em patamar excessivamente elevado [atualmente em 14,5% ao ano], atuando como freio na economia ao encarecer o crédito e limitar o poder de consumo imediato das famílias. Esse nível restritivo de juros drena a capacidade de venda das empresas e sufoca a retomada do crescimento”, afirma Tadros em nota. A pesquisa aponta ainda que, apesar de o mercado de trabalho seguir em patamar "historicamente favorável", com baixa taxa de desocupação e avanço dos rendimentos, há sinais de cautela com a perspectiva para o emprego. O dado de emprego atual que compõe a pesquisa reverteu em mio, na comparação com igual mês do ano passado, três resultados negativos anteriores, enquanto a perspectiva profissional, apesar do avanço de 1,1% ante abril, segue em queda na comparação com o ano passado. Outra ponderação vem do efeito que os juros ainda altos causam nas decisões de consumo mais imediatas. Embora tenha crescido 1,4% ante abril e 3,4% frente a maio do ano passado, o nível de consumo atual marcou 93,8 pontos e é o único componente da ICF que permanece abaixo dos 100 pontos, considerada o limite entre pessimismo e otimismo. A análise detalhada por faixas de renda revela que o fôlego do comércio no longo prazo vem sendo sustentado primordialmente pela base da pirâmide financeira, segundo a CNC. Na comparação anual, o desempenho foi liderado pelas famílias com renda de até 10 salários mínimos, cuja intenção de consumo avançou 3,9%, impulsionada por uma alta de 1,6% no emprego atual e por expressivo otimismo de 4,1% nas perspectivas de compras futuras. "Esse grupo se beneficia diretamente da dinâmica de preços medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que abrange famílias de menor renda e registrou alta acumulada de 4,11% em 12 meses até abril, rodando abaixo do IPCA geral e ampliando a capacidade de gasto desse estrato", diz a nota divulgada pela CNC. As famílias com renda superior a 10 salários mínimos tiveram crescimento anual de 1,4% na intenção de consumo, demonstrando, segundo a pesquisa, menor sensibilidade às melhorias estruturais do mercado de trabalho, visto que seu indicador de emprego atual recuou 0,1% no ano. A CNC destacou o crescimento da disposição do consumidor para a compra de bens duráveis entre abril e maio — Foto: Elza Fiuza/Agência Brasil