Por Anna Luiza Santiago Giovanna Ewbank — Foto: Reprodução/Instagram Prestes a completar 40 anos, Giovanna Ewbank resolveu abrir seu coração em uma série de vídeos nas redes, em que mostra um lado mais íntimo e fala sobre angústias, inquietações, culpa e desejos. A conversa gira em torno de temas como maternidade, independência financeira, padrões estéticos e maturidade: — Acho que pela primeira vez eu parei para realmente olhar para essa mulher que está chegando aos 40. E, quando eu comecei a fazer isso, percebi que existiam muitas perguntas e medos dentro de mim que eu não tinha coragem e tempo de encarar de verdade. Crescemos ouvindo que precisamos dar conta de tudo, performar felicidade, sucesso, maternidade perfeita. Senti vontade de fazer o caminho contrário, sabe? Mergulhei na minha análise para descobrir que inquietações eram essas e então quis criar um espaço mais honesto. Menos personagem e mais real. E foi muito emocionante perceber que, quando eu comecei a falar, muitas mulheres começaram a se reconhecer também. Porque, no fundo, mesmo vivendo vidas muito diferentes, compartilhamos dores muito parecidas. Eu pretendo que esse projeto cresça para outros formatos. Ele vai completo para o YouTube e depois acho que ele tem força para virar outras coisas: videocast, documentário, encontros presenciais. Apesar de considerar os 40 anos uma idade simbólica, ela também pontua como a sociedade pode ser dura com as mulheres nesta fase da vida: — Acho que primeiro vem um certo peso, um medo do desconhecido, porque existe uma cobrança social muito cruel em relação ao envelhecimento da mulher. Parece que a mulher precisa lutar contra o tempo o tempo inteiro. E eu acho isso muito violento. Eu trabalho com a minha imagem desde os 15 anos, ganho dinheiro com isso, sempre fui cobrada a performar perfeição no meu trabalho. Mas ao mesmo tempo que esse medo existe, os quase 40 estão me trazendo uma libertação muito bonita. Uma libertação da minha própria imagem. Hoje eu me preocupo menos em agradar todo mundo. Menos em caber. Menos em corresponder a expectativas que na verdade nem eram minhas. Existe uma maturidade que não tem a ver com saber tudo. Pelo contrário. Tem a ver com aceitar que a gente muda, se contradiz, recomeça, erra, começa de novo. E isso é libertador. Eu sinto que estou entrando numa fase mais verdadeira comigo mesma. Giovanna reflete sobre a diferença de tratamento entre homens e mulheres quando o assunto é a passagem do tempo: — O homem amadurece e muitas vezes é visto como interessante, experiente, poderoso. A mulher envelhece, e o mundo começa a questionar o valor dela, o desejo sobre ela, a potência dela. Acho que nós, mulheres, crescemos com medo de envelhecer porque fomos ensinadas a associar juventude com valor. E eu tenho muita vontade de quebrar isso dentro de mim e também nas conversas que proponho. Acredito ser um caminho longo, mas estou disposta a investir nisso. Acho que envelhecer não pode ser um lugar tão cruel para as mulheres, sabe? Tem que ser um lugar de potência, liberdade. Longe das novelas desde uma participação especial em “Babilônia” (2015), Giovanna afirma ter vontade de voltar a atuar, mas também de continuar criando projetos mais autorais: — A atuação sempre foi um lugar muito importante para mim. Hoje, depois de tantas experiências na comunicação, eu tenho sentindo muita vontade de voltar a atuar, mas de um jeito diferente também. Mais madura, mais segura e talvez mais conectada comigo mesma. Até porque conciliar tudo nunca é simples, principalmente sendo mãe. Existe um esforço diário de organização emocional, física e familiar. Mas eu estou muito animada com esse momento. Tenho muita vontade de continuar criando projetos mais autorais, mais íntimos, mais femininos. Projetos que provoquem conversa, identificação e troca real com as pessoas. No final do ano vou rodar um longa ao lado do Bruno (Gagliasso, marido) que vai ser muito especial e tem tudo a ver conosco. Acho que estou vivendo uma fase de mais coragem criativa. A apresentadora se tornou mãe aos 30 anos, em 2016, quando adotou Títi. Até conhecer a filha, durante uma viagem de trabalho para o Malawi, na África, ela conta que ainda não havia sentido interesse na maternidade e que foi muito julgada por isso: — A maternidade é um território onde todo mundo acha que pode opinar. Eu recebi julgamentos em momentos muito diferentes da minha vida. Quando decidi ser mãe por adoção, fui questionada e me senti muitas vezes invalidada, como se eu não soubesse o que era o maternar pelo simples motivo de não ter gerado. Depois, quando engravidei, quando trabalhei demais, quando expus demais, quando não expus. Parece que nunca existe um jeito “certo” de maternar aos olhos das pessoas. A maternidade me ensinou sobre confiar na minha própria intuição, entender que nenhuma mãe dá conta de tudo o tempo inteiro. E que a culpa não pode ser tão forte na vida das mulheres. Além de Títi, de 12 anos, ela também é mãe de Bless, de 11, e de Zyan, de 5, e alerta para o perigo de resumir uma mulher apenas ao seu papel na maternidade: — Eu acho perigoso quando colocam na maternidade a responsabilidade de completar uma mulher, porque isso cria um peso muito injusto para mães, mulheres e também para os filhos. Meus filhos são a parte mais importantes da minha vida, sem dúvida. Mas eu também sou completa nos meus sonhos, no meu trabalho, nas minhas amizades, nas minhas paixões, nas minhas descobertas, no meu silêncio, nas minhas vulnerabilidades. E, sinceramente, eu não acredito muito nesse equilíbrio perfeito. Acho que existem fases. Dias em que sou mais mãe. Outros em que sou mais mulher, mais profissional, mais filha e tudo bem. Estou aprendendo a parar de exigir perfeição de mim mesma. Casada há mais de 15 anos com Bruno Gagliasso, Giovanna fala da parceria entre eles e conta como procuram levar a criação dos filhos: — Nossa parceria é muito construída no diálogo. Conversmos muito, troca muito, discorda também. Acho importante falar isso porque às vezes as pessoas olham casamentos longos como se fossem perfeitos, e não são. Temos um desejo muito genuíno de criar filhos emocionalmente seguros, seres humanos que se preocupam com o próximo, com o meio ambiente. Filhos que saibam que podem conversar com a gente sobre qualquer assunto. E tentamos construir isso no dia a dia, errando e aprendendo. Em abril, Títi estreou nas passarelas do Rio Fashion Week. Ao ser questionada sobre como se sentiu ao ver a filha seguindo seus passos na carreira artística, Giovanna afirma que o importante é que ela se sinta feliz e respeitada: — A Títi ama moda, ama se expressar através da roupa, da imagem, da criatividade. E acho lindo ver ela descobrindo isso com tanta personalidade. É algo muito natural para ela. Mas existe também muito diálogo dentro de casa sobre autoestima, exposição, pressão estética e redes sociais. Porque eu sei o quanto esse universo pode ser duro, afinal eu vivi e vivo ele. É um lugar muito cruel, especialmente para meninas. Então, a prioridade é preservar a infância, a saúde emocional e a liberdade dela ser criança antes de qualquer carreira. Bless também já demonstrou interesse na carreira de ator. Ele, inclusive, esteve ao lado do pai, Bruno Gagliasso, no longa “Makunaima XXI”. — O Bless é muito sensível, muito observador. Ele vive dizendo que quer ser ator, mas ele pinta, desenha, canta lindamente. Ainda é cedo para saber se ele vai seguir a carreira. Hoje a nossa preocupação maior é que tudo aconteça de forma leve e saudável. A infância deles vem sempre antes de qualquer trabalho — diz Giovanna. O paraíso de Bruno Gagliasso e Giovanna Ewbank: veja fotos e detalhes do Rancho da Montanha 1 de 8 Bruno Gagliasso e Giovanna Ewbank — Foto: Instagram 2 de 8 O paraíso de Bruno Gagliasso e Giovanna Ewbank: veja fotos e detalhes do Rancho da Montanha — Foto: Divulgação/mahnai X de 8 Publicidade 8 fotos 3 de 8 Os detalhes do Rancho da Montanha, paraíso de Bruno Gagliasso e Giovanna Ewbank — Foto: Divulgação/mahnai 4 de 8 Cabana: os detalhes do Rancho da Montanha, paraíso de Bruno Gagliasso e Giovanna Ewbank — Foto: Divulgação/mahnai X de 8 Publicidade 5 de 8 Área externa: Os detalhes do Rancho da Montanha, paraíso de Bruno Gagliasso e Giovanna Ewbank — Foto: Divulgação/mahnai 6 de 8 Os detalhes do Rancho da Montanha, paraíso de Bruno Gagliasso e Giovanna Ewbank — Foto: Divulgação/mahnai X de 8 Publicidade 7 de 8 Os detalhes do Rancho da Montanha, paraíso de Bruno Gagliasso e Giovanna Ewbank — Foto: Divulgação/mahnai 8 de 8 Os detalhes do Rancho da Montanha, paraíso de Bruno Gagliasso e Giovanna Ewbank — Foto: Divulgação/mahnai X de 8 Publicidade Rancho de Ewbank e Gagliasso tem diária de R$ 20 mil e lago particular Giovanna Ewbank com o marido, Bruno Gagliasso, e os filhos do casal, Títi, Bless e Zyan — Foto: Reprodução/Instagram
Giovanna Ewbank fala de novo projeto nas redes, da chegada dos 40 anos e de maternidade
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