O que é certo, proteger sua área e apostar que um rival com dez homens deixará espaços ou seguir atacando em busca de gols? Flaco comemora primeiro gol do Palmeiras sobre o Flamengo — Foto: Divulgação RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 24/05/2026 - 19:46 Vitória do Palmeiras sobre Flamengo destaca imprevisibilidade no futebol A partida entre Flamengo e Palmeiras, vencida por 3 a 0 pelo Palmeiras, ilustra a ausência de fórmulas prontas no futebol. Leonardo Jardim, técnico do Flamengo, optou por ousadia ao adicionar atacantes com um jogador a menos, enquanto Abel Ferreira, do Palmeiras, adotou uma estratégia conservadora. A discussão sobre estratégias reforça que no futebol não há certezas, apenas crenças e a execução de planos. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Se alguém decidir buscar argumentos para defender que o futebol é um jogo sem fórmulas prontas, sem receitas na busca pelo resultado, pode perfeitamente lançar mão do Flamengo x Palmeiras do último sábado. Aliás, a partida é também uma preciosa demonstração de como os vencedores terminam por dominar as narrativas, do quanto elas são moldadas pelo resultado. Após o apito final, e especialmente diante do placar contundente de 3 a 0, o fato de a diferença na contagem ser claramente maior do que a distância na qualidade de jogo das equipes não impediu que um debate se instalasse em torno de Leonardo Jardim, técnico do Flamengo. A questão era se, ao intervalo, ele não abusara dos riscos. Jardim havia tirado Evertton Araújo, tornado Paquetá um volante ao lado de Jorginho e introduzira mais um atacante num time que, reduzido a dez homens, perdia por 1 a 0 para um Palmeiras que gosta dos contragolpes. De fato, tratava-se de uma ousadia. Mas não há outra explicação, não apenas para essa substituição como para tantas outras opções que treinadores fazem, que não seja suas crenças em torno do futebol. Este não é um jogo de consensos, muitas vezes nem mesmo de bom senso. Jardim explicou que enxerga o jogo através da busca pelo gol, entendeu que a melhor forma de lidar com a situação era tentar, a partir da qualidade técnica do Flamengo, incomodar o Palmeiras após dominar brutalmente os 20 minutos iniciais no 11 contra 11. Colocou mais um jogador de velocidade, com capacidade para cobrir muito campo, algo que seria necessário naquele momento. Jardim olhou para o jogo como uma busca por uma fórmula para tentar o gol em meio à adversidade. Por outro lado, em situações assim, haverá quem enxergue com muito mais ênfase o risco de ter o centro do campo mais exposto, um time naturalmente ainda mais fragilizado sem a bola. Estes encontrarão argumentos no 3 a 0 final. Por outro lado, o treinador do Flamengo poderá dizer que, ainda com o placar em 1 a 0, Carlos Miguel fez uma grande defesa e Paquetá teve ótima oportunidade. E que tais chances só foram criadas pela aposta em força ofensiva. Àquela altura, no início da etapa final, um gol mudaria o curso do jogo e, mais ainda, poderia tornar vencedora a opção de Jardim. Mas é possível olhar para o lado vencedor e ter exatamente o mesmo debate. Se há alguém que tem crenças claras sobre o futebol é Abel Ferreira, e é possível apreciá-las ou não. É, na essência, um conservador, especialmente quando seu time está em vantagem, tenha o rival 11 ou 10 jogadores. Em boa parte do segundo tempo, aceitou que o Flamengo tivesse a bola e seu time protegesse a área, escapando em contragolpes esparsos. Tivesse Paquetá acertado o chute num lance muito perigoso, não tivesse Carlos Miguel defendido a cabeçada de Samuel Lino, a esta altura o debate seria se o conservadorismo de Abel não tinha custado ao Palmeiras um resultado precioso no Campeonato Brasileiro. E, no fim das contas, o que é certo? Proteger sua área e apostar que um rival com dez homens deixará espaços ou seguir atacando em busca de gols? Qual o limite entre ousadia e imprudência? Não há fórmulas. Porque ninguém escolhe o resultado de um jogo, mas a forma de buscá-lo. E, uma vez escolhida a estratégia, a única receita que existe é tentar executá-la da melhor forma. O Palmeiras teve méritos, embora o placar sugira um time muito mais brilhante do que efetivamente foi. O Flamengo, excelente no 11 a 11, teve seus momentos e foi corajoso ao escolher seu caminho para buscar um improvável ponto após Carrascal comprometer o clássico. Quanto ao debate sobre as estratégias, o argumento mais forte será sempre a crença de cada um, a forma de enxergar e sentir o futebol.