Tendência é deixar alguns temas para regulamentação somente após a aprovação da proposta que reduz jornada semanal Hugo Motta e Lula — Foto: Cristiano Mariz/Agência O Globo RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 24/05/2026 - 17:52 Lula e Câmara finalizam PEC para jornada de 40 horas semanais Lula e o presidente da Câmara, Hugo Motta, estão finalizando detalhes da PEC que encerra a jornada 6x1, garantindo dois dias de folga semanais e reduzindo a carga horária de 44 para 40 horas sem alterar salários. A proposta, vista como estratégica para o governo, é prioridade para aprovação antes das eleições de outubro. Discussões sobre a transição e setores específicos permanecem em aberto. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve se reunir com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), nesta segunda-feira pela manhã para acertar os últimos detalhes do texto da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da jornada de trabalho 6x1 antes de o texto seguir à votação na Casa. A expectativa é que o relatório seja divulgado nesta tarde e votado na comissão especial ainda nesta semana. A PEC estabelece o fim da escala 6x1 e garante dois dias de folga semanais a todos os trabalhadores mediante redução da jornada máxima de 44 para 40 horas, com manutenção do salário atual. No fim de semana, o relator da proposta, deputado Leo Prates (Republicanos-BA), se reuniu com consultores da Câmara para analisar as mais de 100 propostas feitas ao texto. Também estava na agenda encontros com o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, e com Motta, separadamente. O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, em participação na comissão especial da PEC do fim da escala 6x1 ao lado do relator, deputado Leo Prates — Foto: Brenno Carvalho / Agência O Globo O presidente da Câmara tem se aproximado do Palácio do Planalto e feito gestos a Lula numa tentativa de amarrar apoio de governistas para a sua reeleição à presidência da Câmara, em 2027. A aprovação da PEC seria mais uma sinalização nesse sentido, já que o tema é estratégico para o Planalto. Desde o início da discussão do projeto ficou definido, segundo pessoas que acompanham as negociações, que a palavra final sobre pontos sensíveis seria dada em diálogo de Motta e Lula. A ideia era também blindar o presidente da Câmara e a própria Casa de acusações de falta de diálogo com o Planalto. O fim da jornada 6x1 tem sido considerado tema prioritário para o Planalto, e mobilizado o debate de parte da sociedade civil. A medida é também vista por aliados do petista como uma bandeira para a campanha de reeleição de Lula à Presidência. Diante disso, há pressa para que o tema seja aprovado antes do pleito, em outubro. Segundo relatos, já há um acordo entre Motta e Lula para que os dois dias de folga passem a valer ainda neste ano, atendendo a um pedido do petista. De forma geral, um dos grandes pontos de disputa está na regra de transição para reduzir a jornada atual de 44 horas semanais para 40. Parte do governo resistia à transição, mas outra ala mostra disposição de rever este ponto para destravar o andamento da proposta. Como o GLOBO mostrou ontem, o avanço da medida não representa um desfecho para o tema, ainda que já possa ter repercussões em larga medida no país. A ideia da PEC é que seja um texto enxuto, deixando para a regulamentação posterior alguns desses temas. De acordo com relatos, deve ter até 12 artigos. Mapeamento do governo federal indica que cerca de 50 setores com legislação própria, como trabalhadores domésticos, comerciários, esportistas e aeronautas. Quadros críticos, que demandam maior atenção para evitar disfuncionalidade, envolvem de 10 a 12 setores.