Futebol serve de estímulo para o desenvolvimento de atividades artísticas e socioemocionais A Corrente da Copa, do Matriz Educação Tijuca, reúne alunos do 6º ao 9º ano em atividade sobre respeito, amizade e coletividade — Foto: Divulgação RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 22/05/2026 - 19:31 Escolas da Zona Norte do Rio usam Copa do Mundo em projetos pedagógicos inovadores Escolas da Zona Norte do Rio utilizam a Copa do Mundo para desenvolver projetos pedagógicos que promovem convivência, expressão artística e educação socioemocional. Atividades incluem construção de murais colaborativos e rodas de diálogo, usando o futebol como ferramenta para ensinar respeito, cooperação e integração. Iniciativas visam fortalecer vínculos e incentivar hábitos saudáveis entre alunos. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Entre figurinhas trocadas no recreio, debates sobre futebol e atividades inspiradas nas cores da Copa do Mundo, escolas da Zona Norte transformam o entusiasmo dos alunos pelo universo esportivo em experiências de convivência, expressão e construção coletiva. Em projetos desenvolvidos em diferentes espaços, o tema passou a ocupar não apenas os corredores e as quadras, mas também aulas de teatro, rodas de diálogo, atividades artísticas, práticas esportivas e ações de educação socioemocional. As iniciativas usam o futebol como porta de entrada para trabalhar respeito, escuta, cooperação e trabalho em equipe, além de ampliar o contato dos estudantes com diversas culturas ligadas aos países participantes da Copa. Murais colaborativos, correntes simbólicas, rodas de conversa e atividades esportivas fazem parte das ações criadas para estimular, de forma prática, integração, comunicação e participação entre crianças e adolescentes em diferentes etapas da educação básica. No Qi Tijuca, estudantes do 5º ano participam do projeto Copa Joga Junto, que reúne atividades de teatro, expressão artística e educação socioemocional. Uma das principais ações é a construção do mural colaborativo “Juntos dentro e fora de campo”, produzido pelos alunos com frases, desenhos e palavras ligadas à convivência positiva, como respeito, amizade, união, coragem, cooperação, paz e empatia. Alunos do 5º ano do Qi Tijuca desenvolvem ações do projeto Copa Joga Junto — Foto: Divulgação Inspirados nas cores e nos símbolos da Copa do Mundo, os cartazes são produzidos durante as aulas e permanecerão expostos na escola ao longo das atividades. Além da produção artística, os alunos participam de momentos de interpretação e criação de frases relacionadas ao espírito coletivo, como “Aqui a gente joga junto”, “Amizade entra em campo” e “Respeito faz parte do nosso time”. Segundo Raquel Queiroz, diretora do colégio, a proposta busca utilizar um tema que mobiliza os estudantes para fortalecer experiências de convivência: — Mais do que falar sobre futebol, a ideia é transformar um tema que desperta o interesse deles em participação coletiva, escuta e cooperação. Além do mural, o projeto prevê que o espaço seja alimentado ao longo das semanas com novas produções dos alunos, incluindo bandeirinhas, frases e elementos visuais. Aluna do 5º ano do Qi Tijuca, Luísa Marques Cianci diz que a experiência ajudou a turma a construir o trabalho de forma mais coletiva. — O que mais gostei no projeto foi perceber como todo mundo conseguiu participar junto do início ao fim. Na hora de criar o cartaz e escolher as palavras do mural, fomos conversando, trocando ideias e pensando no que representava melhor a nossa turma — conta. A estudante destaca ainda que o projeto estimulou a turma a discutir a convivência entre os alunos: — Aprendemos que jogar junto é saber ouvir, ajudar e colaborar com o outro. Também do 5º ano do Qi Tijuca, Rafaela Baptista afirma que a atividade aproximou ainda mais os colegas. — Foi legal perceber que cada pessoa tinha uma ideia diferente e que todas ajudaram a construir o trabalho, deixando o mural com a cara do grupo. Achei também muito divertido usar um tema que todo mundo gosta para fazer uma atividade coletiva. Quando todo mundo participa, aprendemos a escutar e respeitar o colega — diz. No Matriz Educação Tijuca, alunos do 6º ao 9º ano participam do projeto A Corrente da Copa, atividade que transforma a entrada da escola em uma instalação conjunta produzida pelos estudantes. A proposta reúne cartões verdes e amarelos conectados em uma grande corrente simbólica com mensagens relacionadas à amizade, cooperação, respeito e união. A atividade acontece durante as aulas de artes e dentro do programa socioemocional Habilidade de Vida, desenvolvido pela escola. Segundo a diretora da unidade, Daniela Gomes, o objetivo é mostrar aos estudantes a importância da participação individual dentro da construção coletiva da escola. — Tentamos mostrar aos alunos que cada um representa um elo importante dentro da comunidade educativa e também na vida como um todo — frisa. A diretora destaca ainda que o contato diário dos estudantes com a instalação fortalece vínculos. — Quando eles enxergam suas produções ocupando a escola, também passam a se reconhecer como parte ativa daquele espaço. Isso fortalece vínculos e cria um sentimento maior de pertencimento. A atividade também reúne estudantes de diferentes séries em torno de um objetivo comum, estimulando integração e interação nos espaços coletivos da escola — comenta. Aluno do 6º ano do ensino fundamental do Matriz Educação Tijuca, Heitor de Sousa Fagundes conta que o projeto aproximou ainda mais a turma. — O que mais gostei foi justamente dessa sensação de união com os colegas, porque me senti fazendo parte de uma equipe e conectado com todo mundo da turma. Além disso, gosto muito de futebol e sou muito fã da Copa do Mundo. Usar esse tema deixou tudo ainda mais divertido — relata. Em Madureira, o Matriz Educação decidiu usar o clima da Copa para estimular debates sobre convivência e relações humanas entre os estudantes. O projeto Muito Além do Jogo, voltado para alunos do ensino fundamental, é realizado em formato de rodas de conversa mediadas pela escola. As discussões partem de perguntas inspiradas no universo esportivo, como “O que faz um time funcionar?”, “Como rivalidade pode virar respeito?” e “O que a escola e o esporte têm em comum?”. A intenção é discutir temas relacionados a trabalho em equipe, liderança, escuta, convivência e comportamento social. Segundo o diretor da unidade, Djan Thimoteo, a ideia é aproveitar um tema presente no cotidiano dos adolescentes para estimular reflexão e diálogo. — Mais do que falar sobre futebol, queremos estimular espaços de conversa em que os alunos possam refletir sobre relações humanas, participação e responsabilidade coletiva — ressalta. No Méier, o esporte também ganhou espaço como ferramenta de integração e aprendizado. O projeto Coração em Movimento, do Colégio Imaculado Coração de Maria, incentiva a prática esportiva como parte da formação integral dos alunos e aproveita momentos ligados à Copa do Mundo para ampliar o conhecimento e fortalecer vínculos entre os estudantes. Além de modalidades esportivas com inscrições abertas para estudantes e moradores da região, a escola promove atividades como trocas de figurinhas e eventos temáticos, incluindo a Copinha, realizados durante os intervalos com alunos do ensino fundamental II e do ensino médio. O objetivo é transformar o interesse dos alunos pelo futebol em experiências que estimulem comunicação, convivência, trabalho em equipe e integração, além de aproximá-los das diferentes culturas presentes na Copa do Mundo. Segundo a coordenadora do Coração em Movimento Espaço Esportivo, Flávia Auad, a mobilização provocada pelo torneio para pode incentivar hábitos ligados ao esporte e à convivência coletiva. — A Copa do Mundo traz uma energia contagiante, e o projeto busca trazer isso para o nosso dia a dia. Acreditamos que o esporte não deve ser apenas algo a que assistimos pela TV, mas uma experiência vivida pelos alunos e toda a comunidade educativa — reflete. O projeto também busca mostrar o esporte como ferramenta de transformação. — Praticar atividade física regularmente vai muito além da estética. É sobre fortalecer a conexão social entre alunos, professores e famílias, além de trazer mais vitalidade, disciplina e foco para a vida. Queremos transformar esse clima de Copa em um estilo de vida permanente, incentivando hábitos saudáveis e mostrando que o esporte tem o poder de unir, inspirar e transformar vidas — diz. * Esta reportagem integra o especial Educação publicado no GLOBO-Zona Norte em 23/05/2026