A ambição quase messiânica de Demis Hassabis dá o tom de "The Infinity Machine" ("A Máquina do Infinito", em inglês, sem edição no Brasil), mais recente biografia do fundador da DeepMind —hoje braço de inteligência artificial do Google— e ganhador do Nobel de Química em 2024.

Escrita pelo jornalista britânico Sebastian Mallaby a partir de mais de 30 horas de entrevistas com o cientista, a obra o retrata desde as primeiras páginas como um idealista a serviço de uma missão maior.

A "máquina do infinito" que batiza o livro seria uma ferramenta capaz de organizar toda a informação existente. Ela é baseada na convicção do próprio Hassabis de que tudo no universo, da experiência humana às leis da natureza, se reduz a um grande conjunto de dados. A chamada inteligência artificial geral capaz de processá-los —a AGI, na sigla em inglês— teria, portanto, poderes que beirariam o divino.

Hassabis, na visão de Mallaby, é não só seu construtor em potencial mas um dos mais qualificados para a tarefa, técnica e moralmente.

O cientista é descrito como um bilionário quase por acidente: descarta iates, carros, casas de praia ou de campo e afirma que, se tivesse de gastar uma fortuna, só a usaria para construir aceleradores de partículas no espaço, a fim de testar os limites da teoria da relatividade de Albert Einstein.