A restituição do Imposto de Renda chega como um alívio no orçamento de muitos brasileiros e, em alguns casos, acaba sendo tratada como um dinheiro "extra". Especialistas em finanças ouvidos pela Folha, porém, alertam que o valor pode ter um impacto maior quando usado para reorganizar a vida financeira, sobretudo em um cenário de juros ainda elevados.

A Receita abriu nesta sexta-feira (22) a consulta ao primeiro lote de restituições, que será pago no dia 29. Esse será o maior lote da história, com a liberação de R$ 16 bilhões a 8,7 milhões de contribuintes.

A principal recomendação é evitar decisões por impulso. Para quem está endividado, a prioridade tende a ser quitar ou renegociar dívidas mais caras, como cartão de crédito e cheque especial. Ao mesmo tempo, planejadores dizem que usar toda a restituição para zerar débitos sem manter nenhuma reserva de emergência pode acabar criando um novo problema no futuro, diante de imprevistos.

Ivan Vianna, planejador financeiro CFP pela Planejar, afirma que o principal erro é tratar a restituição como um "bônus inesperado", quando, na prática, ela representa apenas a devolução de um dinheiro que já pertencia ao contribuinte. Segundo ele, essa percepção influencia diretamente o comportamento financeiro e favorece gastos imediatos, como viagens, eletrônicos e compras por impulso.