A Ucrânia negou esta sexta-feira ter visado instalações civis num ataque na região ocupada de Lugansk, após a Rússia ter atribuído a Kiev um bombardeamento contra uma residência universitária, que deixou pelo menos seis mortos e 15 desaparecidos.O Estado-Maior ucraniano declarou que as suas forças bombardearam um "quartel-general" de uma unidade militar russa na região da cidade de Starobilsk, no Leste da Ucrânia ocupada."A Ucrânia realiza ataques contra infra-estruturas militares e instalações utilizadas para fins militares, em estrita conformidade com as normas do direito internacional humanitário", acrescentaram as forças de Kiev numa mensagem publicada nas redes sociais.O Kremlin acusara anteriormente a Ucrânia de ter atingido uma residência universitária durante a última noite, num ataque aéreo que, segundo o Presidente russo, Vladimir Putin, deixou pelo menos seis mortos, dezenas de feridos e 15 desaparecidos.As forças ucranianas atacaram a residência de estudantes do Colégio Pedagógico de Starobilsk "à noite, enquanto os estudantes dormiam", relatou Putin, indicando que o Ministério da Defesa vai preparar uma resposta ao ataque, que classificou como terrorista.O Presidente russo afirmou que não existem instalações militares perto da residência e que “ninguém pode dizer que estavam a tentar atingir outro alvo".Segundo as autoridades pró-russas em Lugansk, 86 jovens entre os 14 e os 18 anos estavam no interior das instalações no momento do ataque.O Ministério dos Negócios Estrangeiros russo acusou pelo seu lado Kiev de agravar o conflito e de minar os esforços diplomáticos para encontrar uma solução de paz.O Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, defendeu esta sexta-feira a a estratégia de levar a guerra à Rússia com ataques de longo alcance contra o seu território e regiões ocupadas."Estamos a levar a guerra de volta para casa, para a Rússia, e isso é justo", declarou o líder ucraniano numa publicação nas redes sociais depois de se reunir com o comandante das Forças Armadas, Oleksandr Sirskyi.A província de Lugansk é palco de um conflito armado desde os levantamentos pró-russos em 2014 na região do Donbass e encontra-se ocupada quase na totalidade por Moscovo no seguimento da invasão iniciada em Fevereiro de 2022.As tropas ucranianas têm conseguido nas últimas semanas recuperar território em várias frentes de combate com as forças russas, enquanto prosseguem os ataques aéreos na Ucrânia, que provocam vítimas civis praticamente todos os dias.Kiev tem respondido pelo seu lado com bombardeamentos contra instalações estratégicas ligadas ao esforço de guerra da Rússia, numa fase em que as negociações promovidas pelos Estados Unidos não têm conhecido avanços nas últimas semanas.A última ronda trilateral foi realizada em Genebra, Suíça, em 17 e 18 de Fevereiro, e terminou com as partes afastadas sobre os temas essenciais das conversações, que dizem respeito ao futuro das regiões reivindicadas pela Rússia no Leste da Ucrânia e garantias de segurança a Kiev para prevenir uma nova agressão de Moscovo.