Durante a incursão pela comunidade, uma equipe encontrou uma fazenda de mineração de critomoedas. Pelo menos 30 computadores conectados em linha estavam em prateleiras dentro de um cômodo em um terreno aparentemente abandonado. A energia que abastecia o conjunto vinha de uma ligação clandestina, ou “gato”, direto de um poste. 🔎 Mineração de criptomoedas exige computadores adaptados de alta performance e dedicação praticamente exclusiva para realizar bilhões de cálculos por segundo. A máquina que for mais rápida nesse processamento ganha uma “recompensa” do próprio criptoativo. Como a “fazenda” puxava luz irregularmente, não havia gasto de energia — um dos requisitos para um processamento efetivo. Cada uma das 30 CPUs também estava equipada com ventoinhas de alta capacidade, e o quarto tinha exaustores na parede. Esses acessórios impedem o sistema de superaquecer. Não havia ninguém tomando conta da “fazenda” — a rede podia ser monitorada remotamente. A polícia investiga se a captação de Bitcoins e outras moedas digitais se tornou mais uma forma de lavar o dinheiro do tráfico. A mineração é uma atividade legal e não constitui crime. ‘Fazenda’ de criptomoedas no Lins — Foto: Divulgação/PCERJ Mandados A ação desta sexta é coordenada pela Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas e Inquéritos Especiais (Draco-IE), em conjunto com a 26ª DP (Todos os Santos). Blindados e helicópteros deram apoio às equipes. Houve relatos de tiroteio. O objetivo da operação é cumprir 6 mandados de prisão e 30 de busca e apreensão contra o núcleo operacional da facção na comunidade. De acordo com a investigação, o grupo é apontado como responsável pelo controle territorial armado da região e por crimes como tráfico de drogas, roubos de veículos, roubos a pedestres, roubos a residências de alto padrão, roubos a bancos e extorsões. Ainda segundo a Polícia Civil, os investigados monitoravam em tempo real a movimentação das forças de segurança e avisavam em grupos restritos sobre deslocamentos de viaturas, blindados e aeronaves policiais. A Polícia Civil afirmou que as investigações identificaram um grupo “altamente estruturado”, com divisão de tarefas e atuação permanente para manter o domínio territorial da facção no Lins. Helicóptero da polícia sobrevoa o Lins — Foto: Reprodução/TV Globo Falsa central telefônica Polícia Civil faz operação contra o Comando Vermelho no Lins Também no Complexo do Lins, agentes cumpriram mandados contra integrantes de uma organização criminosa especializada no golpe da “falsa central telefônica”. Os alvos são investigados por participação direta na estrutura financeira da fraude e pelo recebimento dos valores obtidos ilegalmente. As investigações da 26ª DP, em conjunto com a Polícia Civil do Piauí, identificaram um esquema em que criminosos se passavam por funcionários do setor de segurança de bancos para enganar as vítimas. Durante as ligações, criavam uma falsa situação de urgência, alegando comprometimento da conta bancária e induzindo as vítimas a entrar em contato com uma central clandestina controlada pela quadrilha. Com isso, os criminosos conseguiam assumir o controle de contas bancárias e aplicativos financeiros, realizando transferências e outras movimentações fraudulentas. O cumprimento simultâneo das ordens judiciais no Rio de Janeiro e no Piauí busca prender os envolvidos, além de apreender dispositivos eletrônicos, documentos e ativos financeiros que possam auxiliar na identificação de outros integrantes do esquema. Carros da polícia no Complexo do Lins — Foto: Reprodução/TV Globo Polícia Civil faz operação no Complexo do Lins