O indicado do presidente Donald Trump para comandar o Federal Reserve (Fed, banco central americano), Kevin Warsh, que deve ser empossado nesta sexta-feira (22), chega ao banco central com o compromisso de defender juros mais baixos e reduzir o balanço da instituição, em um momento em que dirigentes da autoridade monetária discutem a possibilidade de aperto adicional para conter pressões inflacionárias. Warsh foi confirmado para o cargo em votação praticamente partidária em 13 de maio. Ele sucede Jerome Powell na presidência do banco central americano, embora o mandato de Powell como membro do Conselho de Governadores do Fed siga até janeiro de 2028. Aos 56 anos, Warsh cumprirá um mandato de quatro anos como presidente do Fed e de 14 anos como membro do conselho. Trump o escolheu como um nome alinhado à sua posição contrária a novos aumentos de juros. Warsh há muito defende a redução das taxas, ao mesmo tempo que a diminuição do balanço do Fed. Ele assume o comando em um momento em que outros membros do conselho avaliam a possibilidade de elevar juros para conter a inflação impulsionada pela guerra no Irã. Na reunião de 28 e 29 de abril, a maioria dos integrantes considerou que “algum aperto adicional na política monetária provavelmente se tornaria apropriado” caso a inflação permanecesse persistentemente acima da meta de 2%, segundo a ata divulgada na quarta-feira. Warsh não havia sido escolhido para o cargo em 2017, durante o primeiro mandato de Trump. Ele foi governador do Fed entre 2006 e 2011 e, aos 35 anos, tornou-se o membro mais jovem do conselho ao ser nomeado no governo George W. Bush. A expectativa é que ele enfrente forte escrutínio à frente do Fed. Trump já entrou em conflito com Powell por não reduzir juros, chamando-o de “Tarde Demais” e de “idiota”. O governo Trump tem defendido publicamente que o Fed tenha menor independência em relação à Casa Branca e alinhe sua política monetária à agenda fiscal do Executivo. Durante as audiências de confirmação, Warsh adotou várias das posições do governo, mas afirmou que manterá autonomia em relação à Casa Branca. O membro do Conselho do Fed Stephen Miran deixará o cargo pouco antes ou no dia da posse de Warsh. Miran havia se afastado da presidência do Conselho de Assessores Econômicos da Casa Branca para ocupar a vaga no banco central. Ele permaneceu no posto por mais tempo do que o previsto enquanto promotores investigavam Powell e o Fed sobre o custo da reforma da sede do banco em Washington. Um juiz federal criticou o caso, e o senador republicano Thom Tillis chegou a bloquear a nomeação de Warsh em protesto. Os promotores encerraram a investigação em abril, e Tillis retirou a objeção à nomeação.