O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, surpreendeu os aliados da Otan ao prometer enviar mais 5.000 soldados para a Polônia, apenas algumas horas antes de o secretário de Estado Marco Rubio se reunir com ministros da aliança na Suécia nesta sexta-feira, em meio a profundas divisões sobre a guerra com o Irã. Trump, em uma publicação na Truth Social, citou seu relacionamento com o presidente conservador nacionalista da Polônia, Karol Nawrocki, como razão para a decisão de enviar tropas adicionais. “Com base na bem-sucedida eleição do agora presidente da Polônia, Karol Nawrocki, que tive orgulho de apoiar, e em nosso relacionamento com ele, tenho o prazer de anunciar que os Estados Unidos enviarão mais 5.000 soldados para a Polônia”, escreveu Trump na publicação. Foi uma reviravolta surpreendente após semanas em que Trump criticou duramente membros da Otan por não fazerem mais para ajudar a campanha militar conduzida pelos EUA e Israel. Ele afirmou estar considerando retirar os EUA da aliança e questionou se Washington estaria realmente obrigado a honrar o pacto de defesa mútua. Antes de partir para uma reunião de ministros das Relações Exteriores da Otan na cidade sueca de Helsingborg, Rubio disse que Trump estava “muito decepcionado” com membros da aliança que não permitiram aos EUA usar bases em seus territórios para a guerra, destacando especialmente a Espanha. “Você tem países como a Espanha negando aos EUA o uso dessas bases — então por que estão na Otan? Essa é uma pergunta muito justa”, disse Rubio a repórteres em Miami. “É verdade, outros países da Otan foram muito prestativos. Mas precisamos discutir isso.” Autoridades da Otan enfatizaram que os EUA não pediram à aliança de 32 membros que participasse da guerra contra o Irã, mas muitos países cumpriram seus compromissos ao permitir que forças americanas utilizassem seu espaço aéreo e bases militares. As preocupações europeias com a postura de Trump em relação à Otan também foram agravadas neste ano pela tentativa de Trump de adquirir a Groenlândia, território pertencente a outro membro da Otan, a Dinamarca. Ajuda em Ormuz Rubio, disse nesta sexta na Suécia que a próxima cúpula da Otan em Ancara, em 7 e 8 de julho, será “uma das reuniões de líderes mais importantes da história da organização”, pois os líderes terão que responder à “decepção” de Trump com a “resposta da aliança às nossas operações no Oriente Médio”. “Isso terá que ser abordado, não será resolvido ou abordado hoje. É algo que a liderança deve discutir.” Durante o encontro em Helsingborg, espera-se que ministros europeus tentem apaziguar os EUA destacando que estão prontos para ajudar na liberdade de navegação no Estreito de Ormuz quando as condições permitirem, além de assumir mais responsabilidade pela segurança europeia. O Irã restringiu o tráfego pelo estreito durante a guerra. Os temores europeus sobre o compromisso de Trump com a Otan aumentaram após a decisão de retirar 5.000 soldados da Europa, anunciada antes da promessa feita na quinta-feira de enviar tropas adicionais para a Polônia. Ainda não estava claro de onde viriam os soldados adicionais destinados à Polônia. Os aliados de Washington também ficaram confusos e inquietos com a forma como a decisão foi comunicada. Autoridades americanas inicialmente disseram que as tropas seriam retiradas da Alemanha, mas depois afirmaram que adiariam o envio de uma brigada para a Polônia. Os EUA também informaram que um planejado envio de mísseis de longo alcance Tomahawk para a Alemanha não seguirá adiante. Além disso, planejam informar aos aliados da Otan que reduzirão o conjunto de capacidades militares que os EUA disponibilizam à aliança em situações de crise, disseram três fontes familiarizadas com o assunto à Reuters. O principal comandante da Otan, o general da Força Aérea dos EUA Alexus Grynkewich, procurou nesta semana tranquilizar os aliados europeus sobre as decisões recentes, afirmando que novas reduções ocorrerão ao longo de anos, dando tempo para que os aliados desenvolvam capacidades para substituí-las.
Em reviravolta, Trump promete mandar mais soldados para a Polônia
Decisão surge após semanas de ameaças americanas de retirar parte de suas tropas da Europa











