Talvez pelas remotas chances de alcançar o hexa na Copa do Mundo, a CBF decidiu antecipar a apoteose. O chá-revelação dos 26 convocados, no fim da tarde da segunda-feira 18, esteve à altura das personagens envolvidas. Cafona, tedioso e nababesco como os festins do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. “Esse é o maior evento de convocação de todos os tempos”, vangloriou-se Samir Xaud, presidente da confederação, diante dos mil convidados reunidos no Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro. Após o espetáculo, podemos até dispensar a taça, pois esta gente bronzeada mostrou seu valor naquele fim de tarde. Por cerca de duas horas, a pátria de chuteiras assistiu a um jogo de várzea, um show circense no qual a evocação de um passado glorioso tinha por objetivo apagar a memória dos desempenhos pífios do Escrete Canarinho desde 2002, do vexame do 7 a 1 e da regressão infantiloide do futebol nacional. Entre atônito e perplexo, Carlo Ancelotti subiu, enfim, ao palco. O italiano tentou emanar certa seriedade, mas se desmoralizou ao não resistir ao mais poderoso lobby em curso no País. Quando anunciou o segredo de polichinelo, o nome de Neymar, a claque organizada celebrou a escolha como um gol na final. O menino Ney nem se deu ao trabalho de disfarçar. Minutos antes de o treinador tomar a palavra, escreveu no Instagram: “Atleta do Santos e do Brasil”. A birra deu certo. Deram a chupeta pro bebê não chorar. O “Mister” sabe da encrenca. Superada a convocação, o noticiário esportivo se dedicará, daqui em diante, a outro tema vital: o ex-jogador em atividade será ou não titular? Pensando bem, a cafonice não teria ficado completa se o menino Ney fosse excluído da lista. Pensando melhor, não me surpreenderia se a renovação do contrato de Ancelotti por mais quatro anos tiver incluído uma compensação pelo “risco Neymar”.
Seleção/ Pro bebê não chorar – CartaCapital
Em uma festa cafona, a inclusão do menino Ney foi a cereja do bolo











