O principal enviado do Conselho da Paz do presidente Donald Trump para Gaza, Nickolay Mladenov, alertou o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) nesta quinta-feira (21) que a atual divisão do enclave pode se tornar permanente. O impacto seria deixar mais de 2 milhões de pessoas confinadas em menos da metade do território, caso um cessar-fogo não seja consolidado. O presidente dos Estados Unidos criou o Conselho da Paz para supervisionar seu ambicioso plano de encerrar a guerra de dois anos de Israel em Gaza e reconstruir o território devastado. Mas a implementação do plano está travada, com o Hamas se recusando a depor as armas e Israel mantendo tropas em uma ampla faixa de Gaza, que representa cerca de 60% dos 365 quilômetros quadrados do enclave. Mesmo antes da guerra, o território já era um dos locais mais densamente povoados do mundo. “O risco é que o deteriorado status quo se torne permanente — uma Gaza dividida, com o Hamas mantendo controle militar e administrativo sobre 2 milhões de pessoas em menos da metade do território”, afirmou Mladenov ao Conselho de Segurança em Nova York. Palestinos inspecionam os escombros da casa da família Ismail, destruída em um ataque aéreo israelense no campo de refugiados de Al-Maghazi, na região central da Faixa de Gaza, na quinta-feira, 21 de maio de 2026 — Foto: Foto AP/Abdel Kareem Hana Segundo ele, isso levaria outra geração de palestinos de Gaza a viver em tendas e inviabilizaria tanto a segurança de Israel quanto qualquer caminho viável para um Estado palestino. “Essa é uma versão do futuro que israelenses, palestinos e toda a região deveriam temer e mobilizar-se para evitar”, afirmou. O relatório apresentado ao órgão da ONU afirma que a recusa do Hamas em entregar as armas e abrir mão do controle é o “principal obstáculo” para a implementação do plano. O texto também reconhece violações contínuas do cessar-fogo por Israel e mortes provocadas no conflito, além de apontar um déficit de financiamento. “O financiamento para reconstrução não virá enquanto as armas não forem depostas. Sem investimento, sem circulação, sem perspectiva”, afirmou Mladenov ao Conselho, que reconheceu o Conselho da Paz, embora nem todas as grandes potências tenham aderido à iniciativa. O porta-voz do Hamas, Hazem Qassem, disse que as declarações de Mladenov representam uma “tentativa de criar justificativas para a escalada da ocupação contra o povo da Faixa de Gaza e para o endurecimento do cerco imposto a eles”. Grupos humanitários afirmam que o envio de ajuda a Gaza continua limitado, apesar das garantias de aumento da assistência previstas no cessar-fogo. Palestinos inspecionam os escombros da casa da família Abu Shamala, destruída em um ataque aéreo israelense no campo de refugiados de Bureij, na região central da Faixa de Gaza, na quarta-feira, 20 de maio de 2026 — Foto: AP/Abdel Kareem Hana