'Pátio fantasma' em Goiás — Foto: Reprodução A Polícia Civil e o TCE de Goiás apuram indícios de superfaturamento e pagamentos indevidos de aproximadamente R$ 1,5 milhão pelo Detran a favor da MC Leilão Park e Serviços logo após assinatura de contrato, em fevereiro deste ano. Os valores constam no portal Goiás Transparente. Com esse montante, a empresa recebeu, em um único mês, 38% do valor do serviço de quase R$ 4 milhões referente à estadia de veículos na região de Caldas Novas. O pagamento foi liberado mesmo com o pátio totalmente vazio no município, apesar de o edital exigir que houvesse operação no local. O impasse envolve desde suspeitas de pagamentos em duplicidade até o faturamento por serviços prestados em locais onde a empresa sequer teria infraestrutura comprovada. Em fevereiro, primeiro mês do novo contrato, o Detran autorizou o pagamento milionário apenas para a guarda de veículos para a MC Leilão. No entanto, o valor desembolsado pelo serviço de guincho no mesmo período foi de apenas R$ 14 mil reais. Ou seja, a cobrança pela guarda dos carros foi cerca de 104 vezes maior. Para poder assinar o novo contrato, a regra exigia que a empresa tivesse um pátio pronto, operacional, murado e legalizado na cidade de Caldas Novas. Documentos apontam, no entanto, que, na época em que recebeu, a empresa ainda não possuía a estrutura física e legal exigida na cidade. Segundo uma representação ao TCE, a MC Leilão está guardando os veículos em pátios antigos de outras cidades, como Senador Canedo ou Goiânia para economizar e driblar regras do edital. Em paralelo, a empresa Sancar, que se considera a verdadeira legítima de outras partes da licitação, alega que está há quase cinco meses sem assinar seu contrato. O processo foi suspenso em maio sob a justificativa de que seria necessário verificar se havia recursos em caixa para pagar pelo serviço. Procurado, o Detran não respondeu aos questionamentos enviados. A coluna não localizou a defesa da MC Leilões. O espaço segue aberto a manifestações. Já o advogado Alexandre Lourenço, que representa a Sancar, disse em nota que “o pagamento de R$ 1,5 milhão em um único mês significa que a empresa recebeu mais de um terço do valor de um orçamento de um ano inteiro logo nos primeiros 30 dias de trabalho”. Afirmou ainda que “essa diferença enorme sugere que o governo estadual pode ter pagado por serviços que não foram devidamente comprovados na realidade”.
Detran-GO paga R$ 1,5 milhão em um mês por 'pátio fantasma' de guarda de veículos
Detran-GO paga R$ 1,5 milhão em um mês por 'pátio fantasma' de guarda de veículos









