PUBLICIDADE A questão da paz é bilateral entre dois países que respeitam e reconhecem a soberania da nação vizinha Tanques e veículos militares israelenses trafegando por uma estrada entre casas destruídas no sul do Líbano, perto da fronteira com Israel, em 25 de abril de 2026 — Foto: Jalaa Marey/AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 20/05/2026 - 19:55 Conflito Israel-Líbano: Soberania e Desarmamento como Chaves para a Paz A paz entre Israel e Líbano depende do reconhecimento mútuo de soberania, desarmamento do Hezbollah e controle exclusivo do Exército libanês no Líbano. A normalização seria distinta das relações de Israel com Emirados e Bahrein. Pesquisa mostra maioria dos libaneses favorável ao desarmamento do Hezbollah, mas dividida quanto à paz com Israel. Oportunidade de acordo em 2025 foi perdida devido a conflitos regionais. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Uma paz justa entre Líbano e Israel poderia existir desde que não houvesse ocupação israelense do Sul do Líbano, o Hezbollah fosse desarmado e o Exército libanês tivesse o monopólio da força dentro do território do país dos cedros. A receita é essa. Basicamente, uma relação similar à que o Egito e a Jordânia mantêm há décadas com Israel, com os diferentes lados respeitando a soberania do vizinho. A normalização nas relações, para deixar claro, seria distinta da existente entre Israel com os Emirados Árabes Unidos e Bahrein. Afinal, os israelenses nunca travaram guerras ou bombardearam essas nações do Golfo Pérsico. Há uma série de feridas, muitas ainda abertas com a política de ocupação e destruição de vilarejos levada adiante por Israel no Sul do Líbano. Além disso, não há milícias anti-Israel apoiadas pelo Irã operando dentro dos territórios emirati e bareinita. Ter relações com Israel não significaria em hipótese alguma abandonar o apoio a uma Palestina independente na Cisjordânia, Faixa de Gaza e Jerusalém Oriental. Tampouco o Líbano precisaria deixar de condenar a ocupação ilegal israelense dos territórios palestinos, com a colonização da Cisjordânia, classificada como apartheid por entidades como Human Rights Watch e Anistia Internacional, e as ações na Guerra de Gaza, classificadas como genocídio por uma comissão de inquérito independente da ONU — o Tribunal Penal Internacional pede a prisão do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu por crimes de guerra. Alguns podem perguntar se seria possível ter relação com Israel e adotar essa postura crítica aos israelenses na questão palestina? Óbvio. Basicamente é o que fazem governos de países como a Espanha, Irlanda, Noruega, Brasil e Jordânia. A questão da paz é bilateral entre dois países que respeitam e reconhecem a soberania da nação vizinha. Isto é, cabe aos governos do Líbano e de Israel negociarem um acordo. A maioria dos libaneses defende o desarmamento do Hezbollah, segundo pesquisa publicada no jornal L’Orient Le Jour. Uma minoria de um terço defende a normalização das relações do Líbano com Israel. Há uma variação dependendo do grupo sectário. Drusos, cristãos maronitas e cristãos greco-ortodoxos seriam mais favoráveis ao desarmamento do Hezbollah e à normalização com Israel. Já entre os xiitas, o cenário é o inverso, com a quase totalidade contrária à paz com Israel e defensora da manutenção das armas pelo grupo aliado ao Irã. Os sunitas são o fiel da balança, ao defenderem o desarmamento do Hezbollah, mas contrários à paz com Israel. Seguem, portanto, a linha da Arábia Saudita, a grande potência sunita. O ano de 2025 foi uma janela rara na qual poderia ter havido negociações justas. Israel não ocupava o Sul do Líbano e o Hezbollah estava enfraquecido. A decisão dos Estados Unidos e de Israel de atacarem o Irã e a decisão do Hezbollah de se envolver no conflito e atacar o Norte israelense eliminaram esta oportunidade. A negociação entre Líbano e Israel em Washington é um teatro para agradar o presidente americano, Donald Trump. Embora bem-intencionado, o presidente Joseph Aoun não tem como atingir seus objetivos. Já Netanyahu quer basicamente uma capitulação libanesa, com os israelenses mantendo a ocupação do Sul do Líbano. Se o governo libanês ceder, o que não pode ser descartado, o acordo tende a entrar em colapso como o de 1983, quando o Líbano e Israel também chegaram a assinar um acordo de paz. O ideal seria uma paz justa, na qual seja possível ir de Beirute a Tel Aviv de carro e, depois, para Nablus em um Estado palestino.