A Associação Argentina de Atores e Atrizes alerta para os perigos associados ao uso de imagens, vozes e réplicas digitais Os atores Ricardo Darín e Diego Gentile em campanha para regulamentação da inteligência artificial — Foto: Reprodução/Instragram/@asociacionargentinadeactores Com o avanço do uso da inteligência artificial, mais setores alertam para os seus riscos. A Associação Argentina de Atores e Atrizes uniu-se ao debate com uma campanha liderada por Ricardo Darín, no qual o astro argentino pergunta em um vídeo: “Oi, você sabe quem eu sou, né? Mas tem certeza de que sou eu?” A iniciativa, composta por uma série de vídeos, que continuarão a ser divulgados nas redes sociais, busca destacar os perigos associados ao uso de imagens, vozes e réplicas digitais que reproduzem identidades e performances sem autorização. A Associação enfatiza que este é um problema que impacta diretamente os direitos trabalhistas e artísticos do setor e, portanto, apela à conscientização para alertar contra o uso desregulado dessas tecnologias na indústria audiovisual. Além de Darín, que abre este primeiro vídeo encarando diretamente a câmera com uma mensagem que lança dúvidas sobre a autenticidade do que está sendo visto, outras figuras conhecidas participam da campanha. O também ator Gustavo Garzón aprofunda-se no problema e alerta para as possibilidades abertas pelo desenvolvimento tecnológico: “Com o avanço da inteligência artificial, alguém poderia ter usado a minha imagem e vocês estariam sendo enganados”, adverte o ator. Ricardo Darín com a máscara do personagem título da série "O eternauta" — Foto: Foto Sebastián Arpesella / Divulgação Netflix Em seguida, Diego Gentile se pronuncia, focando no direito à identidade: “Minha imagem é minha; ninguém pode usá-la sem a minha permissão”, lembra. Em outro segmento, Marina Bellati destaca a crescente preocupação entre os artistas em relação a essas práticas cada vez mais disseminadas: “Minha imagem, minhas expressões e minha voz são minhas ferramentas como atriz; somente eu posso decidir como elas são usadas”. 'Vamos regular o seu uso' A campanha não visa apenas defender o trabalho dos artistas, mas também conscientizar o público sobre a necessidade de transparência na disseminação de conteúdo criado ou manipulado com inteligência artificial. Por isso, no final do vídeo, Darín volta a falar: “Você tem o direito de saber se um ator é real ou não, se ele realizou aquelas ações ou disse aquelas palavras. Os avanços tecnológicos não podem justificar roubo ou engano”, afirma. Bellati acrescenta que o debate já está acontecendo internacionalmente: “Em todo o mundo, leis e acordos coletivos estão sendo criados para proteger nosso trabalho”, explica. E, por fim, Darín encerra o vídeo com uma frase que resume a principal reivindicação da campanha: “Vamos regulamentar o uso da inteligência artificial”. A Associação Argentina de Atores e Atrizes vem trabalhando nessa questão há algum tempo, juntamente com sindicatos e organizações do setor cultural e audiovisual, para promover propostas que protejam os direitos trabalhistas diante do rápido crescimento das ferramentas tecnológicas. Em poucos minutos, este primeiro vídeo da campanha teve um forte impacto nas redes sociais, e centenas de usuários rapidamente apoiaram a mensagem de Darín e dos outros artistas que participaram da iniciativa. Entre os comentários, havia mensagens como: “Concordo totalmente”, “Ótima mensagem”, “Legislar e regulamentar. Para que não sejamos roubados ou enganados. Vamos fazer isso! E obrigada por esta mensagem” e “A IA precisa de regulamentação”. Em diversos países ao redor do mundo, especialmente nos Estados Unidos e na indústria de Hollywood, atores e roteiristas já realizaram greves e negociações sobre o uso da inteligência artificial, temendo que estúdios e produtoras utilizem réplicas digitais de artistas sem o seu consentimento ou sem o pagamento dos direitos autorais correspondentes.