O Parlamento de Israel aprovou nesta quarta-feira (20) um projeto de lei para dissolver a si próprio. O movimento pode antecipar em algumas semanas a próxima eleição nacional, que, segundo pesquisas de opinião, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu tende a perder. Os parlamentares votaram quase unanimemente a favor de eleições antecipadas após leitura preliminar de um projeto de lei para dissolver o Knesset, composto por 120 cadeiras. Se receber aprovação final, Israel poderá realizar eleições em algumas semanas antes do término do prazo oficial. Veja, a seguir, o que pode acontecer. Quando será a eleição? A data da eleição ainda não foi definida. Israel deve realizar eleições nacionais a cada quatro anos, mas pleitos antecipados são frequentes. A última eleição ocorreu em novembro de 2022, e a próxima votação precisa acontecer até, no máximo, 27 de outubro. Após votar pela dissolução do Parlamento, os deputados terão de concordar sobre a data da eleição. Comentaristas políticos israelenses afirmam que o pleito provavelmente ocorrerá na primeira metade de setembro, embora também possa acontecer mais perto do prazo de outubro. Por que o Knesset votou pela dissolução? A votação aconteceu agora porque uma coalizão judaica ultraortodoxa, tradicionalmente aliada política de Netanyahu, anunciou neste mês que não considera mais o premiê um parceiro e defenderá eleições antecipadas. Os líderes ultraortodoxos afirmam que tomaram a decisão porque o premiê não cumpriu a promessa de aprovar uma lei que isentaria sua comunidade do serviço militar obrigatório em Israel. Ao mesmo tempo, partidos de oposição já buscavam há muito tempo derrubar o governo Netanyahu. Uma tentativa nesse sentido fracassou em junho do ano passado, por exemplo. Um eventual sucesso agora — mesmo que apenas antecipe a eleição em algumas semanas — poderia dar impulso à campanha da oposição e limitar a capacidade da coalizão ultraortodoxa de aprovar leis controversas até lá. Parlamento de Israel, o Knesset, logo após votação inicial desta quarta-feira (20/05) — Foto: REUTERS/Ronen Zvulun O que acontece agora? O projeto segue agora para uma comissão parlamentar, onde será definida a data da eleição. Em seguida, retorna ao plenário para aprovação final. A terceira e última votação exigirá maioria de 61 dos 120 deputados do Knesset. O processo pode ser rápido ou levar várias semanas. O que mostram as pesquisas? Menos de um ano após seu retorno político em 2022, à frente do governo mais à direita da história de Israel, a reputação de Netanyahu na área de segurança foi profundamente abalada pelo ataque surpresa do Hamas em 7 de outubro de 2023. Desde então, as pesquisas vêm mostrando consistentemente que a coalizão governista de Netanyahu ficaria bem abaixo da maioria parlamentar. Ainda assim, existe a possibilidade de que os partidos de oposição não consigam formar uma coalizão, deixando Netanyahu no comando de um governo interino até que o impasse político seja resolvido. Isso já aconteceu antes. Antes da eleição de 2022, Israel viveu uma série de eleições inconclusivas, realizando cinco pleitos em menos de quatro anos. Quem enfrenta Netanyahu? O principal adversário de Netanyahu é Naftali Bennett, ex-assessor que derrotou o líder israelense nas eleições de 2021 e se tornou primeiro-ministro. O direitista Bennett se uniu ao líder oposicionista de centro-esquerda, Yair Lapid, para formar um novo partido, chamado “Together”, atualmente empatado nas pesquisas com o Likud, de Netanyahu. Outro nome em ascensão nas pesquisas é o ex-chefe militar e ministro centrista Gadi Eizenkot. Todos concorrem com plataformas semelhantes, buscando mobilizar eleitores decepcionados com Netanyahu por meio de mensagens de reunificação nacional e reconstrução do país após o trauma do 7 de outubro e das guerras em Gaza, no Líbano e no Irã, que afetaram a economia israelense e a posição internacional do país. O ex-primeiro-ministro Naftali Bennett fala com a imprensa durante a sessão do partido no Knesset, o parlamento israelense, em Jerusalém, na quarta-feira, 20 de maio de 2026 — Foto: AP/Ohad Zwigenberg Quais outros fatores estão em jogo? Netanyahu ainda enfrenta um longo julgamento por corrupção. O presidente israelense, Isaac Herzog, atua como mediador em negociações para um possível acordo judicial, que poderia levar Netanyahu, de 76 anos, a se aposentar da política como parte de um entendimento. A possibilidade de acordo é discutida desde o início do julgamento, há seis anos, mas não está claro se Netanyahu aceitaria. A saúde de Netanyahu também pode influenciar o cenário político. Recentemente, ele revelou ter sido tratado com sucesso de câncer de próstata e, em 2023, implantou um marca-passo. Israel também segue em guerra contra o Hamas, em Gaza, o Hezbollah, no Líbano, e o Irã — frentes que continuam voláteis e podem impactar a eleição.