Um dos atacantes convocados por Carlo Ancelotti teve infância difícil antes da fama internacional Mural pintado com a imagem de Raphinha em Porto Alegre — Foto: SILVIO AVILA / AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 20/05/2026 - 16:29 Raphinha: De Infância Difícil à Estrela do Barcelona e Seleção Raphinha, atacante do Barcelona e da seleção brasileira, superou uma infância difícil no bairro Restinga, em Porto Alegre, para se tornar uma estrela do futebol. Seu primeiro treinador, Seu Farias, e colegas relembram os desafios enfrentados, como rejeições devido à sua estatura. Raphinha persistiu, jogou na Europa e se destacou no Barcelona. A comunidade local o vê como ídolo e torce por ele na Copa de 2026. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO "Você nunca sabe se um menino vai ser jogador de futebol, mas percebe quando ele é diferente", diz Gabriel Rodrigues, relembrando os primórdios de seu antigo companheiro de equipe, Raphinha, uma das estrelas da seleção brasileira na Copa do Mundo de 2026. O atacante de 29 anos do Barcelona cresceu no humilde bairro da Restinga, em Porto Alegre, e seu primeiro treinador, Seu Farias, o recorda com uma mistura de orgulho e nostalgia. Ele conta que Raphael Dias Belloli, Raphinha, era um menino de poucas palavras, que se expressava com a bola nos pés. — Não que ele fosse tímido, mas não ficava por aí conversando — diz o senhor de 83 anos, de barba branca, que treinou o jogador da seleção brasileira no time do bairro, o Monte Castello, quando ele era criança. Seu nome é Luiz Carlos Farias, mas todos o chamam de "Seu" Farias. — O pai dele viu que ele tinha muito interesse por futebol e ele começou a se desenvolver — conta na sala de sua casa em Restinga, enfatizando a importância da família em um ambiente marcado pela pobreza e violência criminal. O pai de Raphinha, Rafael, é músico. Apelidado de "Maninho", ele se tornou amigo íntimo de Ronaldinho Gaúcho, outra grande figura de Porto Alegre, que costumava contratar sua banda. Luiz Carlos Farias foi o primeiro treinador de Raphinha — Foto: SILVIO AVILA / AFP 'Ele sofreu muito por causa do seu físico' Uma estrada de terra em uma área rural do bairro vizinho de Viamão leva ao campo alugado onde o Esporte Clube 2014 treina, um projeto social onde 115 crianças entre 6 e 17 anos jogam futebol gratuitamente. — Ele sofreu muito por causa do seu físico. Raphinha é um sonho realizado — diz uma placa pendurada na cerca do campo. O jogador do Barcelona surgiu neste projeto aos 15 anos, depois de ter sido rejeitado em testes nas categorias de base do Internacional e do Grêmio, que o consideraram magro demais. Ivo Gonçalves, diretor do Esporte Clube 2014, lembra-se de ter ficado surpreso com a personalidade do garoto ao superar essas rejeições. Ivo Gonçalves foi treinador de Raphinha no Rio Grande so Sul — Foto: SILVIO AVILA / AFP — Ele sabia o que queria e veio para trabalhar, não para brincar ou perder tempo — disse Gonçalves, de 52 anos, à AFP. Gabriel Rodrigues treinou com o atacante, embora estivesse em uma categoria superior. Agora, ele é um dos auxiliares técnicos da equipe, que sobrevive graças a doações privadas. — Raphinha sofreu muito por causa de sua estatura física. Ele era magro, pequeno, mas fazia todos esquecerem disso com a bola — diz Rodrigues sobre aqueles treinos em campos agora semiabandonados, com cavalos pastando. A melhor época Para Rodrigues, o esporte ajuda a formar bons cidadãos em bairros perigosos, onde é fácil se desviar do caminho certo. Raphinha contou ao jornal esportivo espanhol Sport que viu amigos se envolverem com o crime. — Alguns deles eram jogadores de futebol muito melhores do que eu — lamentou. Crianças do projeto Esporte Clube 2014, onde Raphinha jogou — Foto: SILVIO AVILA / AFP Gabriel Fauzi, de 28 anos, jogava com ele. — Infelizmente, me perdi no crime. Passei seis anos na prisão (por tráfico de drogas). Estou nas ruas há três anos e tenho uma família, uma filha — conta Fauzi, lembrando seus dias em campo como a melhor época de sua vida. — Ele jogava futebol e ia para casa — diz sobre Raphinha. O ídolo Depois de deixar o futebol de bairro, Raphinha passou pelas categorias de base do Audax-SP e do Avaí, construindo sua carreira como profissional. Sem causar grande impacto, já que nunca estreou na Série A brasileira, ele deu o salto para a Europa aos 19 anos, juntando-se ao Vitória de Guimarães, em Portugal. Seu próximo passo foi o Sporting Lisboa, onde iniciou uma ascensão meteórica: jogou pelo Stade Rennais, na França, brilhou no Leeds United, na Inglaterra, e finalmente se consolidou como um dos principais jogadores de ataque do Barcelona. Desde que chegou ao clube catalão em 2022, Raphinha conquistou o Campeonato Espanhol três vezes. — Ele é um ídolo para mim. Ele está no futebol profissional, onde eu quero estar. Ele está na seleção — disse à AFP João Rafael da Silva, de 16 anos, que treina no Esporte Clube 2014. Raphinha marcou três gols na vitória so Barcelona sobre o Sevilla — Foto: Lluis Gene/AFP Raphinha retorna frequentemente a Porto Alegre. Em dezembro, participou de uma campanha de arrecadação de brinquedos. E as pessoas se lembram dele com carinho: um retrato e imagens dele estão pintados na entrada da escola onde estudou. — Espero que ele jogue bem na Copa do Mundo! Em Restinga, toda a comunidade é fã dele — diz Seu Farias, ansioso pela Copa do Mundo da América do Norte de 2026, que começa em 11 de junho.
Da pobreza até a Copa: Primeiro treinador e colegas de Raphinha falam sobre dificuldades no início da carreira
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