O Google afirmou ter rejeitado um pedido de reconhecimento voluntário apresentado por dois sindicatos britânicos, mas disse que negociará com eles por meio de um serviço de conciliação apoiado pelo governo, adiando um possível processo estatutário que poderia forçar esse reconhecimento. Pelas regras do Reino Unido, a medida abre uma janela de 20 dias úteis, prorrogável mediante acordo, para negociações sobre o reconhecimento sindical. Se as negociações fracassarem, os sindicatos poderão buscar reconhecimento estatutário por meio do Comitê Central de Arbitragem, órgão independente do país. O Sindicato dos Trabalhadores em Comunicação (CWU) e o Unite informaram no início deste mês que haviam enviado uma carta formal ao Google solicitando reconhecimento voluntário, após uma votação organizada por funcionários demonstrar apoio à sindicalização na unidade de inteligência artificial DeepMind. A empresa confirmou o recebimento da carta, que lhe dava 10 dias, segundo as regras britânicas, para responder concordando com o reconhecimento voluntário, rejeitando o pedido ou iniciando negociações. “Recusamos o pedido dos sindicatos de reconhecimento voluntário para negociação coletiva sobre salários, jornada e férias, mas oferecemos uma reunião por meio da ACAS, o que é um próximo passo padrão”, afirmou um porta-voz do Google DeepMind por e-mail nesta quarta-feira. “Continuamos valorizando o diálogo construtivo e direto que temos com nossos funcionários sobre a construção de um ambiente de trabalho positivo e bem-sucedido.” A nova legislação britânica sobre direitos trabalhistas, que entrou em vigor no mês passado, simplificou o processo de reconhecimento sindical, reduzindo alguns dos requisitos mínimos e obstáculos processuais para os sindicatos. O Google possui cerca de 7 mil funcionários no Reino Unido, incluindo os da DeepMind. O CWU comemorou a oferta da empresa para iniciar discussões. “Nos últimos meses, um número sem precedentes de funcionários do Google DeepMind expressou preocupação com a direção de seu trabalho ao se juntar ao sindicato”, afirmou em comunicado. “Estamos confiantes de que ainda mais trabalhadores compreenderão a necessidade de uma voz trabalhista democrática na DeepMind.” Globalmente, grandes empresas de tecnologia têm sido acusadas por grupos de defesa dos direitos dos trabalhadores de desencorajar a sindicalização por meio de táticas antissindicais, caracterização rejeitada pelas empresas, que afirmam preferir diálogo direto com os trabalhadores em vez de negociações coletivas formais. — Foto: David Paul Morris/Bloomberg