Acusação se concentraria na queda, em 1996, de duas aeronaves civis pilotadas por pilotos anticastristas O ex-presidente cubano, Raúl Castro — Foto: Ariel LEY ROYERO / ACN / AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 20/05/2026 - 12:46 Raúl Castro é Indiciado nos EUA por Queda de Aviões em 1996 Raúl Castro, ex-presidente cubano, foi indiciado pelos EUA por sua suposta ligação com a queda de duas aeronaves civis em 1996. Esta acusação intensifica a tensão entre os dois países, já abalada pelo bloqueio ao combustível imposto por Trump. Raúl, irmão de Fidel, liderou Cuba após seu irmão, promovendo reformas econômicas e reaproximação com os EUA no governo Obama, mas mantendo o controle do partido único. Após deixar a presidência em 2018, ele permanece influente na política cubana. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Os Estados Unidos indiciaram nesta quarta-feira o ex-presidente cubano Raúl Castro, de 94 anos, em meio à crescente pressão de Washington sobre o governo comunista da ilha. A acusação se concentra na queda, em 1996, de duas aeronaves civis pilotadas por pilotos anticastristas. Uma acusação formal contra Raúl representa uma reviravolta inesperada na crescente crise nas relações entre os Estados Unidos e Cuba, que tem sofrido com constantes cortes de energia causados ​​pelo bloqueio de combustível imposto por Donald Trump. Raúl deixou a liderança do Partido Comunista da ilha em 2021, mas continuou sendo uma figura poderosa dentro da elite que controla o poder em Cuba. Irmão de Fidel Castro, que comandou Cuba por quase meio século, ele construiu sua imagem como um dirigente mais pragmático que o irmão, fortemente ligado às Forças Armadas e à estrutura de poder do regime, em um país marcado pelo rígido controle estatal. Sua trajetória política ganhou projeção em 1953, quando participou ao lado de Fidel do ataque ao Quartel Moncada, em Santiago de Cuba, na tentativa inicial de derrubar o governo do ditador Fulgêncio Batista. A operação, porém, terminou em fracasso, os irmãos Castro acabaram presos e inúmeros insurgentes foram mortos. Contudo, apesar da derrota militar, o episódio é amplamente aceito por historiadores como o início da Revolução Cubana, que aconteceria em 1959. Durante a revolução, Raúl comandou frentes militares próprias e se destacou pelo pragmatismo e pela proximidade ideológica com o comunismo soviético, algo que influenciaria profundamente o rumo político do futuro governo cubano nas décadas seguintes. Com a vitória e a derrubada de Batista em 59, Raúl, o "número dois" da revolução, assumiu então o Ministério das Forças Armadas Revolucionárias, cargo que ocuparia por quase cinco décadas. Sob seu comando, a defesa cubana se tornou uma das instituições mais poderosas do país, exercendo influência não apenas militar, mas também econômica e administrativa. Nesse período, Raúl também participou ativamente da reorganização do Estado cubano e da aproximação de Havana com o socialismo da União Soviética (URSS) durante a Guerra Fria. A parceria garantiu apoio econômico, militar e estratégico ao governo cubano, mas também aprofundou a rivalidade com Washington, que passou a enxergar a ilha como uma ameaça. Nesse contexto de rivalidade com os EUA, Raúl participou, em 1961, da resposta do governo cubano à invasão da Baía dos Porcos, tentativa fracassada de exilados cubanos apoiados pelos EUA para derrubar Fidel. No ano seguinte, esteve envolvido na articulação militar durante a famosa Crise dos Mísseis, desencadeada após a instalação de armamentos nucleares soviéticos em Cuba, num epísódio que levou o mundo a um dos momentos de maior risco de guerra nuclear durante os anos da Guerra Fria. Após o colapso da URSS, nos anos 1990, Cuba mergulhou em uma grave crise econômica conhecida como "Período Especial", perdendo sua remessas de combustível e passando a racionar comida. Diante do cenário, Raúl passou a defender reformas econômicas para evitar o colapso do sistema socialista cubano. Sob sua influência, setores ligados às Forças Armadas começaram a administrar empresas estatais e atividades econômicas estratégicas, ampliando o peso político dos militares no país. Após Fidel Castro adoecer gravemente em 2006, Raúl assumiu interinamente a Presidência de Cuba, sendo eleito presidente dois anos depoois. Seu governo abriu a economia com reformas de mercado em agricultura, bens e serviços, permitindo a compra e venda de carros e imóveis, licenciando trabalhadores autônomos, incentivando mais investimentos estrangeiros e com o turismo se tornando principal fonte de renda para o regime. Mas apesar dessas reformas, Raúl manteve intacta a estrutura de partido único e o controle político do Estado cubano. Durante sua Presidência, Raúl também conduziu a reaproximação diplomática entre Cuba e os EUA, no governo de Barack Obama. O restabelecimento formal das relações ocorreu em 2015, após mais de cinco décadas de hostilidades. Os países cooperaram em diversos setores da economia, e o embargo à ilha foi aliviado, embora ainda em vigor. Trump, que viria a ser o sucessor de Obama dois anos depois, em 2017, quando iniciou seu primeiro mandato, desmantelou grande parte dos avanços feitos entre os dois países e reforçou embargo contra Cuba, vigente até hoje. Raúl deixou a Presidência em 2018, transferindo o cargo para Miguel Díaz-Canel, o atual presidente, encerrando oficialmente quase 60 anos de liderança direta da família Castro. Ainda assim, permaneceu até 2021 como primeiro-secretário do Partido Comunista, posição considerada a mais poderosa do sistema político cubano. Ao deixar o cargo, Raúl, aos 89 anos, propôs um "diálogo respeitoso com os Estados Unidos", sem renunciar, no entanto "aos princípios da revolução e do socialismo". Geração atual Segundo fontes do jornal americano Wall Street Journal, o filho de Raúl Castro, Alejandro Castro Espín, e o neto mais velho do ex-mandatário, Raúl Rodríguez Castro, têm participado ativamente das negociações entre Havana e Washington, se reunindo com autoridades americanas, como o secretário de Estado Marco Rubio, para discutir a situação na ilha comunista e uma possível diminuição nas tensões com os Estados Unidos. Além deles, Oscar Pérez-Oliva Fraga, filho da irmã mais velha de Fidel e Raúl, foi recentemente promovido a vice-primeiro-ministro. E depois há o excêntrico Sandro Castro, de 34 anos, neto do falecido pai da revolução cubana, e dono de um bar. Com quase 160 mil seguidores no Instagram, ele publica vídeos satíricos sobre as dificuldades enfrentadas pela ilha. Com AFP e agências internacionais.