Secretário de Estado cita os problemas econômicos enfrentados pela população e os associa ao grupo político que comanda o país há décadas Mural em Havana com imagens dos últimos líderes cubanos: Fidel Castro, Raúl Castro e Miguel Díaz-Canel — Foto: YAMIL LAGE / AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 20/05/2026 - 12:13 Marco Rubio Promete "Novo Caminho" EUA-Cuba e Critica Partido Comunista Em pronunciamento aos cubanos, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, prometeu um "novo caminho" entre EUA e Cuba, culpando o Partido Comunista pelos problemas econômicos da ilha. A fala ocorreu antes do possível indiciamento de Raúl Castro pelo Departamento de Justiça. Rubio criticou a Gaesa, conglomerado controlado pelas Forças Armadas, e ofereceu ajuda financeira, destacando a mudança na política americana. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO O Departamento de Justiça dos EUA indiciou, nesta quarta-feira, o ex-presidente de Cuba Raúl Castro, em um processo ligado à derrubada de dois aviões no espaço aéreo cubano nos anos 1990, e que resultou na morte de quatro pessoas. A decisão é mais uma etapa na crescente pressão de Washington sobre Havana: horas antes do indiciamento, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, prometeu aos cubanos um “novo caminho entre os EUA e uma nova Cuba”, e creditou os problemas da ilha ao Partido Comunista. A acusação remete a um indicidente ocorrido em 1996. Na ocasião, três aviões de um grupo chamado Irmãos ao Resgate decolaram da Flórida em busca de cubanos que tentavam fazer a travessia até os Estados Unidos em botes, em momento em que milhares de pessoas tentavam sua sorte no mar. Cuba acusava a organização de violar seu espaço aéreo e de lançar panfletos contra o então líder, Fidel Castro, apesar dos alertas do governo americano. No dia 24 de fevereiro, eles ignoraram os alertas do comando aéreo cubano e, instantes depois, um caça MiG-29 abateu duas das aeronaves. Um terceiro avião pousou em segurança na Florida. O processo foi moldado inicialmente com base no processo contra o ex-ditador do Panamá, Manuel Noriega, capturado pelos EUA nos anos 1990 e processado por tráfico de drogas, mas ficou quase três décadas parado no Departamento de Justiça. Recentemente, um dos promotores originais do caso, Guy Fowler — cuja família emigrou de Cuba para os EUA — reapresentou as denúncias, e encontrou respaldo dentro do governo Trump. — Venho tentando indiciar os Castros desde os 9 anos de idade — disse Fowler em entrevista à rede CNN, se referindo à idade que tinha quando deixou a ilha. Segundo o secretário de Estado, Raúl Castro fundou, há 30 anos, a Gaesa, o maior conglomerado industrial do país, administrado pelas Forças Armadas e que administra bens e investimentos de quase US$ 18 bilhões em praticamente todos os setores da economia local. Há anos, a dissidência cubana no exterior acusa a Gaesa de usar o domínio econômico para realizar investimentos que não são revertidos à população. — Eles lucram com hotéis, construção civil, bancos, lojas e até mesmo com o dinheiro que seus parentes enviam dos Estados Unidos. Tudo, absolutamente tudo, passa pelas mãos deles. Dessas remessas, eles retêm uma porcentagem, mas dos lucros da Gaesa, nada chega até você — declarou. — Hoje, Cuba não é controlada por nenhuma “revolução”. Cuba é controlada pela Gaesa. Um “Estado dentro do Estado” que não presta contas a ninguém e acumula os lucros de suas empresas em benefício de uma pequena elite — continua o secretário. — E o único papel desempenhado pelo chamado “governo” é exigir que vocês continuem fazendo “sacrifícios” e reprimindo qualquer um que ouse reclamar. O discurso é mais uma ferramenta da mudança brusca na política externa americana para Cuba. Ao invés do apaziguamento de Barack Obama na década passada, a diplomacia trumpista, especialmente em seu segundo mandato, estabeleceu a mudança de regime como objetivo. As sanções e o bloqueio naval convivem com ameaças de intervenção feitas pelo presidente — um processo que tem em Rubio um personagem central: ele é filho de cubanos que emigraram aos EUA dois anos antes da revolução que instituiu a república socialista a pouco mais de 100 km da Flórida, em 1959. Pessoas caminham por uma rua em Matanzas, Cuba, em 31 de março de 2026 — Foto: (Foto de YAMIL LAGE / AFP) — Eu sei que Cuba é um país forte. Os cubanos são muito corajosos e não vão nos pegar desprevenidos — disse Sandra Roseaux, moradora de Havana, à agência Reuters. — Se eles vierem, terão que lutar, porque Cuba vai reagir. Meu país, faminto ou como estiver, vai reagir. É melhor que eles não venham, porque haverá luta. — Hoje, da mídia ao entretenimento, do setor privado à política e da música aos esportes, os cubanos chegaram ao topo de praticamente TODOS os setores, em todos os países, exceto um… Cuba — disse Rubio. — Hoje em Cuba, apenas aqueles próximos à elite da Gaesa ou que fazem parte dela podem ter negócios lucrativos. Mas o presidente Trump está oferecendo um novo caminho entre os EUA e uma nova Cuba. Em publicação na rede social X, o chanceler cubano, Carlos de Cossio, disse que "a razão pela qual o Secretário de Estado dos EUA mente de forma tão reiterada e sem escrúpulos ao se referir a Cuba e tentar justificar a agressão à qual submete o povo cubano não é ignorância ou incompetência". "Ele sabe muito bem que não há desculpa para uma agressão tão cruel e implacável", completou.
Departamento de Justiça dos EUA indicia ex-presidente de Cuba Raúl Castro; Rubio promete 'novo caminho' aos cubanos
Secretário de Estado cita os problemas econômicos enfrentados pela população e os associa ao grupo político que comanda o país há décadas










