O presidente dos EUA, Donald Trump, disse a repórteres nesta quarta-feira (20) que não tem pressa em encerrar o conflito com o Irã. Ele também afirmou que atingir os objetivos da missão no Oriente Médio é mais importante do que estabelecer um cronograma para conclusão da guerra. “Não tenho pressa. Todo mundo está dizendo: ‘Ah, as eleições de meio de mandato’. Não tenho pressa”, disse Trump a jornalistas antes de embarcar para Connecticut, onde fará o discurso de formatura na Academia da Guarda Costeira dos EUA. O presidente também repetiu Trump que o país permaneceu muito mais tempo em outras guerras e que não há motivo para preocupação vinda dos americanos: “Vamos colocar desta forma: vocês ficaram 19 anos no Vietnã. A Segunda Guerra Mundial durou quatro anos. Estou há três meses [no conflito com o Irã]. E grande parte disso foi cessar-fogo. Em duas guerras — Venezuela e aqui — perdemos 13 pessoas. Em outras guerras, vocês perderam centenas de milhares. Nós tomamos conta da Venezuela. Essencialmente tomamos conta do Irã”. Na segunda-feira, Trump voltou a ameaçar retomar ataques contra o Irã nos próximos dias como forma de pressionar Teerã a aceitar um acordo para encerrar a guerra. Ao mesmo tempo, a mídia estatal iraniana informou que a nova proposta de paz apresentada por Teerã, por intermédio do Paquistão, é similar à anterior, que Trump considerou um “lixo” e “totalmente inaceitável” na semana passada. Segundo o vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Kazem Gharibabadi, citado pela agência Irna, o plano iraniano prevê o fim definitivo das hostilidades em todas as frentes, incluindo o Líbano, a retirada das forças americanas de áreas próximas ao território iraniano e reparações pelos danos provocados pelos ataques conduzidos por EUA e Israel. Além disso, o país persa exige o levantamento das sanções, a liberação de recursos congelados e o fim do bloqueio marítimo imposto pelos EUA no Estreito de Ormuz — por onde passava um quinto do petróleo transportado por mar em todo o mundo. Na terça-feira, ao visitar obras da Casa Branca, Trump afirmou ainda que os líderes iranianos estariam “implorando” por um acordo e advertiu que um novo ataque poderá ocorrer nos próximos dias caso não haja entendimento. Ao comentar as negociações na tarde de ontem, o vice-presidente dos EUA, J.D. Vance, adotou um tom mais conciliador, embora também tenha mencionado a possibilidade de retomada da campanha militar. “Achamos que fizemos muito progresso, achamos que os iranianos querem fechar um acordo”, disse ele, acrescentando que o “plano B” seria retomar a campanha militar. Pesquisa Reuters/Ipsos divulgada na terça-feira mostrou que o índice de aprovação do presidente dos EUA caiu para perto do nível mais baixo desde que ele retornou à Casa Branca, afetado por uma queda no apoio entre republicanos. A popularidade de Trump sofreu um golpe neste ano, uma vez que os americanos têm sofrido com o aumento dos preços da gasolina desde que ele ordenou ataques ao Irã em fevereiro, juntamente com Israel. O levantamento também apontou que apenas 62% dos republicanos aprovam a forma como Trump está lidando com a situação no Irã, enquanto 28% desaprovam, de acordo com a última pesquisa. Os democratas desaprovam de forma esmagadora, assim como dois terços dos independentes. No geral, apenas um em cada quatro entrevistados na pesquisa -- e cerca de metade dos republicanos -- disse que a ação militar dos EUA no Irã valeu a pena.