Mohamed Mahudhee liderava uma equipe de busca por quatro italianos que haviam desaparecido em uma caverna submersa na região Mohamed Mahudhee enquanto tentava encontrar os quatro mergulhadores perdidos nas Maldivas — Foto: Reprodução/@MMuizzu via X RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 20/05/2026 - 11:00 Sargento morre nas Maldivas devido à doença da descompressão em operação de resgate O sargento Mohamed Mahudhee morreu nas Maldivas durante uma operação de resgate em caverna submersa, vítima da doença da descompressão. Esta condição, comum em mergulhadores, ocorre quando a subida rápida impede a eliminação de gases acumulados, formando bolhas que obstruem vasos sanguíneos, causando dor e sintomas graves. Diagnóstico precoce e terapia de recompressão são cruciais para recuperação. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO O sargento-mor Mohamed Mahudhee faleceu tragicamente durante uma operação de resgate de alto risco nas Maldivas. Ele liderava uma equipe de busca por quatro italianos que haviam desaparecido em uma caverna submersa no Atol de Vaavu, nas Maldivas. Mahudhee desenvolveu a doença da descompressão, que é uma das condições de risco mais comuns em mergulho profundo. Ela acontece, principalmente, quando o mergulhador volta à superfície rápido demais e o organismo não é capaz de eliminar os gases acumulados durante o período submerso. A incidência da condição é de 2 a 4 a cada 10 mil entre mergulhadores recreacionais, mas é maior entre mergulhadores profissionais, pois eles tendem a ser expostos a águas mais profundas e ter tempos de mergulho mais longos. O que é a doença da descompressão? O ar é composto principalmente por nitrogênio e oxigênio. Como o organismo utiliza continuamente o oxigênio, de forma geral, o excesso de moléculas de oxigênio respiradas sob uma pressão elevada não se acumula. Contudo, o excesso de moléculas de nitrogênio se acumula no sangue e nos tecidos. De acordo com o Manual MSD, à medida que a pressão externa diminui durante a subida após o mergulho ou ao deixar um ambiente de ar comprimido, o nitrogênio acumulado, que não pode ser expirado de imediato, forma bolhas de gás no sangue e nos tecidos. Essas bolhas podem se expandir e lesionar os tecidos ou obstruir os vasos sanguíneos de muitos órgãos, quer seja diretamente, quer seja dando origem a pequenos coágulos de sangue. Essa obstrução dos vasos sanguíneos causa dor e vários outros sintomas às vezes semelhantes, por exemplo, aos do acidente vascular cerebral (como fraqueza súbita num lado do corpo, dificuldade respiratória, tontura) ou até mesmo sintomas parecidos com os da gripe. As bolhas de nitrogênio também provocam inflamação, causando inchaço e dor em músculos, articulações e tendões. Ainda de acordo com o Manual, o excesso de nitrogênio se mantém dissolvido nos tecidos corporais durante, pelo menos, 12 horas depois de cada imersão. Por isso, aqueles que realizam diversas imersões durante um dia têm uma probabilidade maior de sofrer da doença de descompressão. A condição tem basicamente dois tipos: o primeiro, mais leve, afeta as articulações, a pele e os vasos linfáticos. Já o segundo, que pode trazer risco à vida, atinge os sistemas dos órgãos vitais, incluindo o cérebro e a medula espinhal, o sistema respiratório e o sistema circulatório. Sintomas O tipo menos grave da doença de descompressão, normalmente provoca do que tende a se manifestar nas articulações dos braços ou das pernas, costas ou músculos. Por vezes, é difícil localizar a região. A dor pode ser leve ou intermitente no início, mas pode se intensificar de forma constante e tornar-se grave. Ela também é descrita como profunda ou como se algo estivesse perfurando o osso. O tipo mais grave de doença de descompressão tem como consequência mais frequente o aparecimento de sintomas neurológicos, que vão desde um entorpecimento até paralisia e morte. A medula espinhal é particularmente a parte mais vulnerável. Os sintomas de envolvimento da medula espinhal podem incluir dormência, formigamento, fraqueza ou uma combinação desses nos braços, pernas ou em ambos. A incapacidade de urinar ou incapacidade de controlar a micção ou a defecação também pode ocorrer. A dor no abdômen e nas costas também é comum. Além disso, pode ocorrer: dor de cabeça, confusão, dificuldade para falar e visão dupla. É normal que os sintomas comecem aos poucos e demorem algum tempo até alcançar o seu ponto máximo de efeito. Apenas metade das pessoas com doença de descompressão apresenta sintomas ao fim de 1 hora depois de chegar à superfície, ao passo que 90% manifestam sintomas após 6 horas. Diagnóstico e tratamento A doença de descompressão é reconhecida pela natureza dos sintomas e por seu aparecimento associado ao mergulho. Exames como tomografia computadorizada (TC) ou imagem por ressonância magnética (RM), por vezes, demonstram anomalias no cérebro ou na medula espinhal. No entanto, a terapia de recompressão é iniciada antes de se obterem os resultados dos exames. Essa terapia nada mais é do que uma câmara hiperbárica que ajuda a repor a circulação sanguínea normal e o oxigênio nos tecidos afetados. A terapia de recompressão pode ser benéfica até 48 horas ou mais depois do mergulho. Todos os pacientes com a doença precisam receber oxigênio para proporcionar alívio. Segundo o Manual MSD, a maioria dos pacientes com a doença se recuperam completamente.