A Venezuela libertou na terça-feira (19), com base na lei da anistia, três ex-presos políticos que estavam encarcerados desde o início do século no país sul-americano. A medida se deu após o presidente do Parlamento, Jorge Rodríguez, ter anunciado a libertação de 300 detidos ao longo desta semana, incluindo presos por motivos políticos. A lei de anistia foi assinada pela presidente interina, Delcy Rodríguez, que assumiu o governo sob pressão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, após a captura de Nicolás Maduro em uma operação militar americana realizada em janeiro. A Organização Não Governamental (ONG) Foro Penal confirmou, em publicação no Instagram, a libertação dos três presos, identificados como Luis Molina, Erasmo Bolívar e Héctor Rovain. Segundo a organização, os três policiais metropolitanos estavam sendo “injustamente mantidos na prisão desde 19 de abril de 2003. Eles jamais deveriam ter permanecido atrás das grades”. Eles haviam sido condenados a 30 anos de prisão, acusados de disparar contra manifestantes. Em março, um pedido de anistia apresentado pelas defesas dos três foi rejeitado. O anúncio das libertações também ocorre enquanto a presidente, que é irmã do presidente da Assembleia Nacional, enfrenta escrutínio pela morte sob custódia, no ano passado, do vendedor de 51 anos Víctor Hugo Quero. O presidiário também era considerado um preso político Além disso, a mãe dele, Carmen Navas, faleceu no domingo, apenas 10 dias depois de a morte do filho ser anunciada pelo sistema penitenciário. Ela havia tentado por meses, sem sucesso, adquirir provas de que o filho permanecia com vida. De acordo com um comunicado, Quero morreu em julho, em razão de “insuficiência respiratória aguda secundária a tromboembolismo pulmonar” dez dias após ser transferido para um hospital devido a um problema gastrointestinal. Navas foi sepultada na terça-feira, em Caracas. Dezenas de pessoas, em sua maioria estudantes universitários, protestaram em memória de Navas e responsabilizaram o governo venezuelano pelas mortes dela e de seu filho. O anúncio de Jorge Rodríguez feito na terça-feira lembra outro comunicado divulgado dias após o ataque militar dos Estados Unidos à Venezuela, em 3 de janeiro. Na ocasião, o presidente do Parlamento afirmou que as libertações tinham como objetivo promover a paz, sem detalhar com quem. As libertações iniciais chegaram a ser elogiadas por Trump. Os familiares de presos que continuam detidos e organizações de direitos humanos, porém, continuam a criticar o governo de Delcy Rodríguez pela lentidão e pelo o que classificam como “caráter seletivo do processo”. Na semana passada, o presidente americano afirmou a jornalistas que pretende garantir a libertação de todos os presos políticos no país. “Vamos tirá-los todos de lá”, declarou.
Venezuela anuncia libertação de três presos políticos detidos há mais de duas décadas
Medida se deu após o presidente do Parlamento, Jorge Rodríguez, ter anunciado a libertação de 300 detidos ao longo desta semana, incluindo presos por motivos políticos










