O filho mais velho do fundador da Mango é oficialmente suspeito pela morte do pai, Isak Andic, depois de a polícia ter passado mais de um ano e meio a reunir provas sobre o suposto acidente nas montanhas de Montserrat, em Barcelona. Entre as provas apresentadas pelo Ministério Público em tribunal, na terça-feira, quando Jonathan Andic foi presente à juiz, está a “relação distante entre os dois”, bem como três visitas às montanhas na mesma semana em que o empresário de 71 anos morreu.É como homicídio que prossegue a investigação em Barcelona, onde a Mango foi fundada em 1995. No total, os procuradores levaram a tribunal sete provas contra Jonathan Andic que saiu em liberdade ao final da tarde, depois de o vice-presidente do conselho de administração ter pagado um milhão de euros de fiança.A primeira prova é a contradição entre as declarações de Andic em dois interrogatórios feitos pela polícia catalã, os Mossos d'Esquadra, a 14 e a 31 de Dezembro de 2024, na sequência da morte do pai. Primeiro, relata o El País, Jonathan disse que caminhava uns “quatro ou cinco metros” à frente de Isak, quando este parou para tirar fotografias. Depois, só ouviu algumas pedras a caírem, motivo por que se voltou para trás, vendo “um corpo a rolar entre os arbustos”. Ouviu o impacto e um “gemido de dor”, declarou.Dias mais tarde, a versão mudava: apenas tinha visto o pai a usar o telemóvel no início da caminhada. A polícia confirmou depois que Isak Andic só tinha mesmo tirado uma fotografia e gravado um vídeo. A autópsia adiantou ainda que o telemóvel estava no bolso no momento da queda. “É improvável que, se estavam a caminhar juntos, ele não o tenha visto cair”, refere a ordem de detenção.Entre outras omissões das declarações de Jonathan está o seu conhecimento sobre o percurso que ambos faziam naquele 14 de Dezembro. O antigo director global da Mango Man (cargo que deixou no ano passado) disse que tinha feito a mesma caminhada há duas semanas, mas a localização do seu veículo confirmou que já tinha estado três vezes na montanha naquela semana — a 7, 8 e 10 de Dezembro. É com esses dados que se espera que os procuradores justifiquem a premeditação do homicídio, quando houver uma acusação formal.Jonathan argumenta que a relação com o pai era “boa” e nunca tinha havido um desentendimento — sabe-se que, em 2015, terá pressionado Isak a transferir a empresa para seu nome. A investigação reuniu várias testemunhas que confirmam que os dois estavam em conflito, acusando mesmo o filho de “manipular emocionalmente” o pai.Há também provas ligadas ao local do acidente. O relatório policial descreve uma “marca amarela arredondada” no local da queda, que é correspondente com a sola dos sapatos da vítima. Contudo, para criar uma mancha daquela dimensão, seria necessária uma “fricção” pelo menos “quatro vezes em ambas as direcções” — ou seja, consistente com um gesto de empurrar alguém.A autópsia diz ainda que as lesões da vítima eram correspondentes ao acto de “descer de escorrega com os pés primeiros”. E argumenta: “Não há ferimentos nas palmas das mãos, descartando que tenha tropeçado numa pedra ou [que tenha sido] uma queda para a frente”. Até porque a zona do acidente é num trecho da caminhada “sem dificuldade” e na qual Isak podia ter “antevisto a queda”, já que a visibilidade era “boa”.