Uma jovem de 22 anos apresentou queixa por violação contra um homem de 25 na madrugada de sexta-feira, 8, no Queimódromo de Matosinhos. Será mais um caso de violência de género registado na Queima das Fitas — o único denunciado às autoridades na edição deste ano. A investigação foi, desde então, arquivada por desistência da queixa, avança ao PÚBLICO a Polícia Judiciária (PJ).O episódio é parte do “fenómeno” que, há anos, se tenta combater na semana académica, afiança Francisco Porto Fernandes. O presidente da Federação Académica do Porto (FAP) afirma que a organização do evento tem “tolerância zero” para “todos os casos de assédio, abuso, violência de género” e discriminação. Disse ainda que a “principal prioridade” da FAP é a “segurança e a prevenção de comportamentos de risco”, citando como exemplo “os excessos no consumo de álcool”.Cristiana Vale Pires, investigadora na Faculdade de Educação e Psicologia da Universidade Católica Portuguesa e membro da Kosmicare, defende que a prevenção de casos como este começa por “definir canais de comunicação que permitam rapidez na identificação e resposta às situações” de violência.Era o caso do Ponto Lilás, uma iniciativa da Kosmicare e de outras organizações, que actuou na Queima das Fitas do Porto nas edições de 2019 e 2022. O objectivo era estabelecer um “ponto seguro” que servisse para apoiar estudantes durante a Queima. A estrutura, montada no meio do Queimódromo, contava com a actuação de profissionais experientes da área de violência de género, especificamente de violência sexual e do namoro.