O número de execuções de penas de morte foi, no ano passado, o mais alto dos últimos 45 anos, ultrapassando as 2700 pessoas, anunciou esta segunda-feira a Amnistia Internacional (AI).De acordo com um relatório da organização não-governamental (ONG) de defesa dos direitos humanos, o número de pessoas executadas pelo Estado foi de 2707, valor que não contabiliza os milhares de pessoas que se acredita terem sido executadas na China, país que a AI disse acreditar manter-se como o que mais aplica a pena de morte em todo o mundo.O número confirmado representa um "crescimento drástico e alarmante" de mais de 78% em relação ao ano anterior, quando foram aplicadas 1518 penas de morte e é o mais elevado registado pela ONG desde 1981, quando foram foram executadas 3191 pessoas.O aumento foi, de acordo com o relatório, impulsionado pelo Irão, que apresentou o maior número de execuções em décadas (pelo menos 2159) e mais do que duplicou o total de 2024.As autoridades iranianas continuaram a "instrumentalizar a pena de morte, frequentemente após julgamentos flagrantemente injustos", para incutir medo na população e punir aqueles que desafiaram o regime, acusou a AI. O número de aplicações da pena de morte no Irão representa 80% de todas as execuções registadas.No entanto, o total conhecido não inclui os milhares de pessoas que se acredita terem sido executadas na China.Além disso, a ONG não conseguiu determinar números mínimos fiáveis das execuções realizadas na Coreia do Norte e no Vietname, países que acredita continuarem a "usar extensivamente" a pena de morte. Outros dois países que aumentaram "de forma alarmante" o número de execuções foram os Estados Unidos e a Arábia Saudita.As autoridades sauditas ultrapassaram o recorde de execuções registado em 2024, chegando a 356 pessoas, das quais 240 pessoas foram mortas por crimes de tráfico de droga não violentos.A ONG destacou ainda o "aumento sem precedentes" de execuções num estado dos EUA, a Florida, que, só no ano passado, matou 19 pessoas, levando a um total nacional de 47 pessoas.Além disso, manifestou "forte preocupação" com estados que retomaram métodos há muito abandonados, como o fuzilamento, e denunciou o uso recorrente da asfixia por gás nitrogénio, alertando para a violação das proibições contra tratamentos cruéis ou degradantes.Guerra às drogasEm muitos países, as execuções de penas de morte foram justificadas com a guerra às drogas.Quase metade (1257 ou 46%) de todas as execuções conhecidas foi registada por crimes relacionados com drogas, alegação que dominou os critério em cinco países (China, Irão, Kuwait, Arábia Saudita e Singapura), mas que também foi usada na Argélia, Kuwait e Maldivas.Apesar dos números recorde de execuções, os dados de 2025 mostram que os países que ainda implementam a pena de morte são, cada vez mais, excepções.É que se pode ver no continente americano, onde os EUA foram, pelo 17.º ano consecutivo, o único país a executar pessoas, mas também na África subsariana, onde as execuções ficaram restritas à Somália e ao Sudão do Sul.Na Europa, a Bielorrússia viveu o primeiro ano, desde que Alexander Lukashenko assumiu a presidência, em 1994, em não foi registada qualquer sentença de morte.Na Ásia, Singapura e Vietname foram os únicos países conhecidos, entre o grupo da Associação de Países do Sudeste Asiático (ASEAN), a executarem pessoas e na região do Médio Oriente e Norte de África, 96% de todas as execuções registadas foram realizadas no Irão e na Arábia Saudita.Embora quatro países (Japão, Sudão do Sul, Taiwan e Emirados Árabes Unidos) tenham voltado a executar pessoas em 2025, o número total de países que realizaram execuções (17) manteve-se em linha com os totais anuais registados desde 2018, de 20 países ou menos.
Execuções de penas de morte atingem número mais elevado dos últimos 45 anos
Números não incluem milhares de pessoas que se acredita terem sido executadas na China, país que a AI diz ser o que mais aplica a pena de morte em todo o mundo. Irão impulsiona total.










