O Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, afirmou, esta sexta-feira, que a Rússia quer envolver mais a Bielorrússia no conflito, com planos de atacar o Norte da Ucrânia ou outro país da NATO a partir de território bielorrusso.“Continuamos a documentar as tentativas da Rússia de envolver cada vez mais a Bielorrússia na guerra contra a Ucrânia”, afirmou Zelensky no Telegram, depois de uma reunião com responsáveis militares e dos serviços secretos.De acordo com o Presidente ucraniano, há provas de contactos entre a Rússia e o líder bielorrusso, Alexander Lukashenko, para o persuadir a juntar-se a “novas operações russas”, a “Sul e a Norte do território bielorrusso” – na direcção de Chernihiv e Kiev, na Ucrânia, ou na de um dos países da NATO. Zelensky não deu mais detalhes.A Bielorrússia faz fronteira com a Ucrânia a Sul e com a Polónia, Lituânia e Letónia — todos membros da NATO — a Norte e a Oeste.Nem Moscovo nem Minsk reagiram às declarações de Zelensky. A Rússia considera que os planos de guerra na Ucrânia são segredos de Estado.Lukashenko, aliado de Putin, permitiu que o seu território fosse utilizado para parte da invasão russa de Fevereiro de 2022, embora não tenha enviado tropas bielorrussas para combater na região. Desde então, Minsk concordou em permitir a instalação de armas nucleares tácticas russas e de mísseis hipersónicos Oreshnik no seu território.Promessa de retaliação O Presidente ucraniano não só instruiu as suas forças de defesa a preparar um plano de resposta e a reforçar as defesas nas regiões de Chernihiv e Kiev, como também anunciou que a retaliação contra a Rússia, que atacou um prédio em Kiev com um míssil de fabrico recente, já está em curso.Enquanto deixava rosas vermelhas num prédio de habitação em Kiev, onde um ataque com mísseis russos matou 24 pessoas, incluindo três crianças, na quinta-feira, Zelensky afirmou que a “Ucrânia não vai permitir que nenhum ataque” fique “impune”. Horas mais tarde, no seu discurso nocturno, afirmou que a retaliação já estava em marcha: com ataques contra instalações petrolíferas e militares.O ataque ao prédio ucraniano marcou o fim de um cessar-fogo de três dias mediado pelos EUA e foi descrito por Donald Trump, durante a viagem de regresso da China, como algo que pode comprometer os esforços para encontrar uma solução diplomática para a guerra.O Ministério da Defesa russo confirma que as suas forças levaram a cabo um ataque em massa contra a Ucrânia entre os dias 12 e 15 de Maio. As forças ucranianas acreditam que Moscovo terá lançado mais de 1500 drones e dezenas de mísseis durante esse período.Sexta-feira foi dia de luto nacional na Ucrânia, com bandeiras a meia haste em toda a capital, relata a Reuters. Cerca de 20 diplomatas estiveram presentes na cerimónia de homenagem às vítimas. “Isto mostra, mais uma vez, que neste momento não estão interessados em qualquer tipo de negociação de paz”, afirmou o embaixador francês Gael Veyssiere.Neste sábado, as forças russas afirmam ter controlado duas povoações na região de Kharkiv, na Ucrânia. Há também relatos de ataques contra Odessa, que atingiram a infra-estrutura energética e alguns edifícios residenciais. Um dos veículos de distribuição de ajuda humanitária da ONU terá ainda sido atingido por um drone em Kherson, denuncia Andrea De Domenico, que lidera o organismo, no X.Ainda na sexta-feira, Ucrânia e Rússia completaram uma troca de prisioneiros, com mais de 200 soldados ucranianos a regressarem ao país.
Zelensky diz que a Rússia está a considerar atacar países da NATO a partir da Bielorrússia
O Presidente ucraniano já tinha prometido retaliar contra os ataques russos dos últimos dias — na noite de sexta-feira, prometeu que já estava em curso, com ataques contra infra-estrutura energética.












