Após duas décadas com a Pepsi em seu portfólio de bebidas, o Burger King, operado pela Zamp no Brasil, passará a vender produtos da Coca-Cola em seus restaurantes no país. A mudança envolve cerca de 982 unidades da rede e será implementada gradualmente, começando pela venda de latas até a instalação completa do sistema de "free refill", modelo em que o consumidor pode reabastecer a bebida sem custo adicional dentro do restaurante. Atualmente, as operações do BK ao redor do mundo têm autonomia para escolher seus fornecedores de bebidas. Por isso, a marca trabalha com Coca-Cola em alguns mercados e Pepsi em outros. Segundo a companhia, a troca no Brasil não faz parte de uma diretriz global. De acordo com o diretor de marketing do Burger King no Brasil, Pedro Barbosa, a decisão não foi baseada em acordos comerciais, mas em pesquisas de mercado e faz parte de uma estratégia mais ampla de reforço dos atributos de qualidade da marca. “Diversas pesquisas mostram que Coca-Cola é hoje a marca de bebida preferida entre os brasileiros. Ao oferecer Coca-Cola nos nossos restaurantes, a gente reforça o posicionamento de oferecer os melhores produtos”, afirmou ao Valor. Segundo o estudo Brand Footprint Brasil 2025, da Kantar, a Coca-Cola foi a marca mais escolhida pelos brasileiros, com 644 milhões de CRPs (Consumer Reach Points, métrica que mede quantas vezes uma marca é escolhida pelos consumidores). Barbosa afirma que a mudança não diminui a relevância da parceria anterior. “Ambev e Pepsi foram grandes parceiras nossas desde que chegamos ao Brasil. Toda a nossa trajetória de crescimento teve muito dessa parceria. A gente agradece demais toda essa parceria, mas é um movimento natural da gente, de fato, reforçar nosso posicionamento como uma marca que oferece os melhores produtos", diz o executivo. Em nota, a Ambev , que responde pela distribuição das bebidas da PepsiCo no Brasil, confirmou o fim do contrato para o fornecimento de refrigerantes à rede. "O encerramento se deu em comum acordo. Foram anos de uma relação positiva e de resultados relevantes para os envolvidos", disse a Ambev ao Valor. Na fase inicial da transição, as lojas do BK passarão a vender Coca-Cola Original e Sem Açúcar, Fanta Laranja, Fanta Guaraná e Sprite em lata. Em algumas regiões, a Fanta Guaraná poderá ser substituída por outros sabores. Segundo a companhia, o processo deve levar alguns meses até que todas as unidades estejam operando com máquinas de free refill abastecidas pela Coca-Cola. “Nós estamos trabalhando com a Coca-Cola para que essa transição aconteça da maneira mais suave possível para o consumidor”, afirmou o diretor. “Dada a capilaridade do BK no país, com quase mil restaurantes, existe uma complexidade operacional importante”, acrescentou. Além do BK, hoje a Coca-Cola já está presente em diferentes redes de alimentação e fast-food no Brasil e no exterior, incluindo McDonald's, Domino's, China in Box, Subway, Grupo Madero, Bloomin' Brands, Giraffas, KFC e Grupo Trigo. “Estamos unindo duas marcas muito presentes na rotina das pessoas e acreditamos no potencial dessa combinação para gerar ainda mais relevância e preferência do público”, afirmou o vice-presidente de marketing da Coca-Cola Brasil, Julio Lopez, ao Valor. O Burger King não informa quantas lojas já operam com o novo portfólio, mas Barbosa afirma que “grande parte do sistema” já iniciou a mudança. A substituição começou na semana passada e inclui o escoamento do estoque antigo antes da instalação definitiva dos novos equipamentos. Para divulgar a nova estratégia, a marca lançará um site de atualização em tempo real para que consumidores acompanhem quais unidades já operam com os novos produtos e quais ainda permanecem com Pepsi. A campanha também terá desdobramentos em TV, mídia digital, redes sociais e OOH (out of home). A criação é da AlmapBBDO, com mídia digital da Jotacom e peças externas assinadas pela Streetwise. O filme de lançamento explora justamente a mudança de hábito do consumidor. Na peça, um cliente pede “Whopper, batata frita e Coca-Cola” e, após um breve silêncio, o atendente responde: “Pode ser”. A campanha trabalha a ideia de que um pedido antes incomum na rede agora passa a ser possível. O marketing é considerado uma frente relevante para o Burger King dentro da Zamp. A marca soma cerca de 6,5 milhões de seguidores entre Instagram e TikTok e é a única do grupo atualmente com um diretor de marketing dedicado exclusivamente à operação. Pedro Barbosa assumiu o cargo em janeiro deste ano. Até então, a Zamp não tinha CMOs separados por marca. Igor Puga respondia pelo marketing de todo o portfólio do grupo, mas o cargo foi extinto em 2025, junto com outras vice-presidências, em uma reorganização liderada pelo diretor-executivo da companhia, Pedro Zemel. No primeiro trimestre de 2026, a Zamp registrou receita bruta de R$ 2,5 bilhões, alta de 13% em relação ao mesmo período do ano anterior. O Ebtida ajustado, indicador que mede o resultado operacional antes de juros, impostos, depreciação e amortização, ficou em R$ 122,9 milhões, queda de 2,9%. A companhia encerrou o período com 2.646 unidades em operação entre lojas próprias e franqueadas. O Burger King respondeu por R$ 1,1 bilhão em vendas líquidas no trimestre, crescimento de 6,7% na comparação anual. A empresa não divulga o valor investido na troca de fornecedora nem informa quem ficará responsável pelos custos de instalação das novas máquinas de "free refill".
Após 20 anos, Burger King deixa a Pepsi e passa a vender Coca-Cola
A mudança que vale para o mercado brasileiro será implementada gradualmente nas cerca de 982 lojas da rede no país







