Um tribunal militar condenou na quinta-feira (7) Li Shangfu, ex-ministro da Defesa, à morte. Na prática, a sentença será convertida em prisão perpétua sem possibilidade de redução ou liberdade condicional. Li foi considerado culpado de aceitar subornos milionários e de favorecer aliados em nomeações militares com seu antecessor no cargo, Wei Fenghe, recebendo a mesma pena.

A trajetória dele diz muito sobre como funciona o poder na China de Xi Jinping. Oficial do programa espacial militar, Li caiu nas graças do líder chinês e foi nomeado ministro em março de 2023 mesmo sendo alvo de sanções dos EUA por sua atuação em contratos militares com russos. Mas meses depois desapareceu da vida pública e em outubro, demitido, tornando-se o chefe de defesa com o mandato mais curto da história do país.

O tom da cobertura oficial elimina qualquer ambiguidade sobre a mensagem. O Diário do Exército de Libertação Popular publicou editorial acusando os dois de "colapso de fé e perda de lealdade", a primeira vez que a palavra deslealdade aparece associada a Li num veículo oficial.

O texto vai além da condenação dos réus e lança um aviso ao afirmar que "o Exército empunha a arma, e não pode haver quem abrigue deslealdade ao Partido" e que "não importa quão alto o cargo, todos são iguais perante a disciplina partidária".