Hassan Koko havia acabado de concluir um curso de capacitação e tomava um chá quando, de repente, um drone apareceu. Ao pousar, matou vários de seus colegas e o deixou ferido. O ataque ocorreu em 29 de novembro do ano passado, na região dos montes Nuba, na divisa entre o Sudão e o Sudão do Sul.

O agente comunitário de saúde, de 50 anos, sobreviveu ao ataque, mas ficou com marcas profundas. Sentado em uma cama de madeira improvisada, com vista para as fabulosas montanhas da região, ele aponta para as cicatrizes em suas pernas, de onde ainda é possível ver, três meses depois, um objeto pontiagudo de metal que foi disparado pelo objeto voador.

"O drone atacou uma vez e depois voltou, atingindo aqueles que já estavam feridos", conta à DW.

O terror vivido por Koko é uma nova realidade no Sudão, em guerra há exatos três anos. O uso de drones, que já era disseminado em outros conflitos, como na Ucrânia, agora tem sido frequente na guerra entre sudaneses. De acordo com a ONU, mais de 500 civis foram mortos por ataques do tipo de janeiro a meados de março de 2026, sendo crianças as principais vítimas.

"Minha família ficou feliz porque eu sobrevivi. Eles achavam que eu ia morrer", diz. "Mas a vida não é mais a mesma. Às vezes eu desço até o mercado próximo, mas, na maior parte do tempo, fico preso em casa."