Quando se estende o tapete vermelho em Cannes, como nesta semana, sente-se a primeira lufada do verão na França. Tempo propício para o desfile de belas atrizes, atores, diretores, filmes jamais vistos e o charme da Côte d’Azur.

Só que, em 2026, o humor dos franceses passa ao largo do glamour: há pelo menos 20 casos-contato com o hantavírus no país, a crise energética ameaça complicar as férias de todo mundo, e o cenário político beira o caos.

Em seu último ano no Eliseu, Emmanuel Macron preside despedidas. Hoje ele garante que o hantavírus é situação controlada, embora o primeiro-ministro Sébastien Lecornu reaja no "modo crise" —além do alarme sanitário, o chefe do governo enfrenta a guerra no Oriente Médio, que vem flambando o preço dos combustíveis. Desde janeiro, a venda de carros elétricos cresceu 48% na França. Há também o pânico com os efeitos anunciados do El Niño nos próximos meses.

E daí vem a paisagem política. Faltando um ano para as eleições, há pelo menos 30 candidatos potenciais à Presidência, segundo a Revista Política e Parlamentar. É certo que muitos desistirão antes de oficializar a candidatura, porém, numa contagem realista, fala-se em 17 competidores. Analistas atribuem essa fragmentação ao declínio do sistema partidário e ao vazio de representação.